Jornalistas, folcloristas e mestres temem risco de reabertura de bares em São Pedro e São Marçal

Liberação geral pode espalhar uma segunda onda de contaminação da doença na capital

No auge da festança junina, a Grande Ilha (São Luís, São José de Ribamar, Paço do Lumiar e Raposa) seria sacudida por cordões de bumba-bois de matraca, em maioria, que ajudariam a fazer as noites mais brilhantes, e hoje a aproximação de São Pedro (29 de junho) e São Marçal(30) motiva preocupação, com o anúncio, pelo governador Flávio Dino, da reabertura de bares depois de meses, sinalizando perigo para a observação de jornalistas, folcloristas, professores, notadamente. Lembraram a explosão de casos de mortes por coronavírus em Belo Horizonte, com que o prefeito Alexandre Kalil anunciou no dia 23 último medidas mais rigorosas  sobre o processo de reabertura das atividades e deverá adotar o lockdown (fechamento total).

A liberação geral de bares às vésperas de uma festa de tamanha efervescência popular poderá causar uma disseminação da Covid 19 na capital maranhense, visto a liberação geral para o próximo, sábado – foto: Gutemberg Bogéa

Essa possibilidade, que poderá ser trágica, forçou o jornalista e professor do Curso de Comunicação da UFMA, Euclides Moreira Neto, ao artigo, nas redes sociais,  Incongruência Administrativa: Liberação de Bares, em Pleno Festejo Junino, é Temerária: “O governo do Maranhão, que a meu ver vinha adotando uma postura muito correta e coerente com essa ameaça mortal, começou a liberar algumas atividades do relacionamento produtivo das diversas cadeias existentes. Entretanto, os números dos casos no Maranhão ainda estão em uma linha ascendente, com o aumento dos óbitos. Com a liberação de parte do comércio local, o que verificamos? A população saiu descontroladamente para as ruas e, segundo percebemos, o risco de contaminação deve ser alastrado nos próximos dias, aumentando o sofrimento de centenas ou milhares de pessoas. Espero que esse meu olhar catastrófico não se confirme!”

Dirigentes de bumba-bois, jornalistas e professores pedem que Flávio Dino adie seu decreto de flexibilização – Foto: Divulgação

O risco do liberou geral, já — Euclides assinalou, gravemente:  “Agora, com a liberação dos bares e restaurantes em pleno Dia de São Pedro (29 de junho), que é véspera de São Marçal (30)  com o liberou geral  grandes partes do povo vão ficar enlouquecidas, lotando bares e festejando essas duas datas desse período ritualístico que requer a comemoração. Acredito que a melhor medida tomada pelo governador Flávio Dino seria a de adiar essa liberação para depois do  dia 1.º de julho, após o período festivo, pois assim, penso eu, talvez a sede de comemorar do nosso povo fosse menos letal!”

Presidente do Sindicato dos Jornalistas, Douglas Cunha achou a distensão arriscada já – Foto: Arquivo

Após a demanda reprimida — Seguindo raciocínio similar, o jornalista Douglas Cunha, presidente do Sindicato dos Jornalistas Profissionais de São Luís, exibiu sua convivência com segmentos sociais mais populares, em suas atividades, há muitos anos de repórter, e assim sua preocupação com a distensão  para funcionamento de bares, com previsão de alta nas ocorrências de letalidade: “O nosso povo é, tradicionalmente, festeiro, e havendo a reabertura de bares, nos bairros mais movimentados, como reforça o jornalista Herbert de Jesus Santos, o Mano Beto, de nossas antigas ligações familiares, ao que nos parece, faltou o toque da assessoria competente para lembrar à Sua Excelência, o governador Flávio Dino,  que, em cima de São Pedro e São Marçal, os bares abertos a todo vapor são um convite para conterrâneos,  quanto os boieiros,  acabarem os sucessos obtidos na campanha do isolamento social, indo para o espaço o bem-sucedido lockdown do governo estadual!”

Euclides Moreira Neto sugeriu que o decreto governamental comece a vigorar após o 1.º de julho – Foto: Arquivo

Palavra de jornalista e folclorista de peso — Ligado na cultura popular e literária, como jornalista e autor, há muitos anos, Herbert de Jesus Santos acentuou: “Se não houvesse essa restrição, eu estaria com as minhas matracas engajado no Batalhão do Boi da Madre de Deus, e, na véspera de São Pedro, preparado para amanhecer na festa dele, que teve meu pai (Filipão) e tios criadores, dentre outros pescadores, e minha avó paterna, Marcela, a primeira zeladora da capela. Conheço de perto, há muitos anos, brincantes dos bumba-bois, tanto que se houver mesmo a reabertura dos bares, no ápice da festança junina, irá por água abaixo o bem-sucedido lockdown do Governo Flávio Dino, até 17 de maio. Não clarearam para a Sua Ex.ª, o governador, que na Grande Ilha (São Luís, São José de Ribamar, Paço do Lumiar e Raposa) os brincantes mais fanáticos dos bumba-bois, com a deixa oficial, poderão extravasar até pelo São Marçal, no João Paulo. Uma coisa é certa: No Dia de São Pedro, para não deixarem a data passar em brancas nuvens, devotos ou não, velejarão no Bacanga e Anil, e, com os bares liberados, o ajuntamento não terá controle. Aí, só Jesus salva!”

Herbert de Jesus Santos e Simão Cireneu Ramos pontuaram o risco de nova onda da Covid-19 em São Luís – Foto: Arquivo

Advertência de reincidência do Primeiro-Mundo — Professor, guia de Turismo e poliglota, Simão Cireneu Ramos enfatizou que o Novo Coronavírus, apocalíptico, nos Estados Unidos, onde o presidente Donald  Trump demorou  a exigir os procedimentos sanitários precisos,  teve uma segunda onda na Coreia do Sul e na China, onde o surto fatídico começou, e mostrou uma evidência que daria  para o governador Flávio Dino acatar a prudência e adiar o seu decreto de flexibilização para depois de São Pedro e São Marçal: “Em Curitiba, que não ostenta uma festa junina grandiosa, quanto a nossa, o prefeito reconsiderou a medida de reabertura para bares e restaurantes, em vista do crescimento de novo e sem demora no número de infectados e óbitos!”

Professora Nilta Azevedo prevê aglomerações perigosas para o povo nos dias dos santos – Foto: Arquivo

Quase uma prece da mestra para Flávio Dino — Pedagoga, Nilta  do Nascimento Azevedo, nascida na extinta Praia da Madre de Deus, conhece de pequena a agitação de  brincantes de bumba-meu-boi, nos dias mais fortes. Moradora, hoje, da Rua Belo Horizonte, na Vila Bessa, católica praticante de ser catequista, na paróquia de São Pantaleão, atuante na Igreja de São Roque, no Lira, e na Congregação do Sagrado Coração de Jesus, ela, qual Legionária de Maria, sintonizada na reincidência do mal em países em que o surto pandêmico estava superado, disse que ofertaria quase uma  prece para Flávio Dino: “Senhor Governador, uma segunda onda da Covid-19 sempre acontece onde há mais multidões aglomeradas! Pelo amor de Deus, retroceda seu decreto de  reabertura dos bares para depois de São Pedro e São Marçal! Desde já, muito obrigada!”

Adalberto Cantador avisa aos navegantes que, se houver brecha, boieiros vão extravasar no São Pedro e São Marçal – foto: Arquivo

Hora de guarnecer em casa, neste ano — Adalberto, cantador do Boi Itapera de Maracanã e dirigente de proa da Fefcema (Federação de Entidades Folclóricas do Estado do Maranhão),  e Edivaldo dos Santos Nogueira (Esnog), artífice de artes gráficas(digitador de jornal) e corretor de imóvel, nascido e criado na Rua do Pau-d ´Arco, na Madre de Deus, alertaram: “Estamos numa guerra contra um inimigo cruel e invisível, e não podemos dar mole pro descuido, e se houver mesmo a reabertura dos bares, principalmente, perto de São Pedro e São Marçal, os malefícios serão enormes”! Adalberto foi certeiro: “Se facilitarem abertura de bares pra boieiros, nos dias grandes de junho, será um deus-nos-acuda!” Sobrinho do jornalista, poeta, prosador e folclorista Herbert de Jesus Santos, neto do lendário Filipão e sobrinho-neto de Zé de Zuleide, pescadores que criaram a Festa de São Pedro, Esnog apontou: “Com a flexibilização governamental para os bares, há uma forte possibilidade de brincantes de bumba-bois, com pandeiros e matracas, estribados com os pagamentos dos salários de junho da prefeitura e do Estado, terminarem de encher a tampa no 29 de junho, no Largo de São Pedro, e, no Dia de São Marçal, no João Paulo! Aí já viu!”

Edivaldo Esnog,  nascido na Madre de Deus, estimou um risco coletivo com  a reabertura dos bares nos dias grandes de junho  – Foto: Arquivo

Texto: Herbert de Jesus Santos



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