Dia pauleira. Acordei cedo, temperatura de 18 graus negativos, o café da manhã ainda não havia sido servido no hotel. O motorista do táxi que contratei veio me buscar. Estava em Ulan Bator, capital da Mongólia, lugar fascinante e surpreendente. O hotel fica a 60 km do aeroporto. No trajeto montanhas cobertas de neve. Chego cedo no aeroporto, check In fechado. Aguardo, check In feito vou para a sala de embarque, esperar o voo de duas horas e meia até Beijin, China.
Duas horas de conexão no aeroporto de Beijin. Aeroporto enorme, tudo distante: alfândega, imigração, revistas. Filas quilométricas, receio perder o voo. Tudo resolvido, embarco para Riad, Arábia Saudita, onze horas de voo. Gosto de voos longos: durmo, como, bebo vinho, assisto filmes, escrevo. Com minha ansiedade aumentada, não consigo dormir. Nada de bebida alcoólica, pois estamos a caminho de país árabe, proibido de beber álcool pelo Alcorão. O tempo não passa.
Fico preso na poltrona, minúscula e desconfortável. Caminho um pouco pela aeronave para evitar trombose. Peço café, mais café, e mais café. Minha taxa de cafeína no sangue aumenta minha ansiedade. Não ligo a TV em minha frente. A claridade das TVs ligadas à minha volta aumenta meu desconforto. Onze horas depois de decolarmos de Beijin, finalmente a aeronave Airbus 333-900 da Air China aterrissa no Aeroporto Internacional King Khalid, em Riad. Aterrisagem perfeita.
No desembarque vi que fomos conduzidos por duas pilotos. Como é bom ter mulheres à frente. Tenho confiança no trabalho delas, são mais profissionais. Desembarco, o rapaz da cadeira de rodas que veio me apanhar, educado e gentil, diz que é indiano, de Mumbai, cidade que visitei na caótica Índia, tempos idos.
Tenho que pagar visto de entrada, 108 dólares. Volto para a imigração, passo pela alfândega. No saguão do aeroporto o motorista de uma limusine me espera com uma tabuleta com o meu nome. Saímos juntos, ele pede para aguardar no estacionamento do aeroporto, enquanto vai buscar o automóvel. Me sinto importante e chique, por ter alguém me esperando com meu nome escrito em uma tabuleta. Riad faz 27 graus a noite. Vejo as luzes e os letreiros dos enormes arranha-céus pelo caminho. Como o mundo tem contrastes. Sai de Ulan Bator com -18 graus e desembarquei em Riad com 27°. Estou terminando meu périplo por 15 países da Europa e da Ásia, sendo que onze países não conhecia. Por três dias vou caminhar e conhecer um pouco desse país milenar.
Chego a 162 países visitados desde outubro de 2003, quando me adaptei às muletas, depois de ficar cinco anos sem caminhar e passar por 43 cirurgias.
Riad, rica, mostra a opulência dós petrodólares. Vejo a imponência de seus arranha-céus, os carrões de luxo, em contraste com a horda de imigrantes dos países vizinhos, que não têm acesso à riqueza.
Ao final de três dias, arrumo a mala para começar a voltar para casa; primeiro a Holanda, onde ficarei por quatro dias; depois um pit stop em Lisboa, para finalmente cruzar o Atlântico e desembarcar em terras alencarinas, no meu nordeste querido. Uma longa e fascinante odisseia.
Que venham novos países, novas descobertas, novas experiências, que se transformarão em novas memórias e novas histórias para contar.
Avante! Sempre em frente.
Luiz Thadeu Nunes e Silva – Engenheiro agrônomo, escritor e globetrotter. Autor do livro “Das muletas fiz asas”.
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