Dançarinos maranhenses se juntam em projeto solidário nacional

ONG do Rio de Janeiro que realiza projeto para combater fome no natal, inova e cria clipe musical dançante para campanha de 2020

Pessoas de diversas partes do país estão se preparando para a realização do videoclipe “Samba dança contra a fome”, primeira fase do Natal Sem Fome, projeto criado em 1994 pela ONG (Organização não governamental) carioca Ação da Cidadania que terá suas gravações realizadas na ultima semana de outubro, para incentivar a solidariedade dos brasileiros.

Postagem do instagram oficial do Samba dança contra fome com foto do presidente Daniel Carvalho de Souza – Foto: Ong Ação da cidadania

Com o objetivo de ajudar famílias carentes a terem um natal digno, o Natal Sem Fome sempre foi organizado pela Ação da Cidadania, que foi criada em 1993 pelo sociólogo Herbert de Souza, falecido em 1997 e que sempre foi conhecido popularmente como Betinho; desde então, mais de 32 milhões de alimentos foram arrecadados ao longo dos anos e foram distribuídos para mais de 20 milhões de brasileiros.

Em 2020, Daniel Carvalho de Souza, filho de Betinho e atual presidente da organização, fechou uma parceria com João Carlos Ramos, diretor da Companhia Aérea de Dança, para colocar em prática o Samba dança contra a fome, que consiste em reunir artistas (como Claudia Raia, embaixadora do evento) e entusiastas de dança de diferentes partes do Brasil para a produção de um videoclipe, cujo objetivo será de sensibilizar a população em geral e convencê-los a realizarem doações alimentares e monetárias.

“O quadro de fome elevou de forma gigantesca por conta da Covid-19 e como foi composta uma música especialmente para a campanha desse ano, o Daniel Carvalho de Souza propôs fazer uma ação de dança para a canção, mas aí pensei em fazer mais e sugerir fazer uma ação, envolvendo todos os estados brasileiros em prol dos mais necessitados”, conta João Carlos Ramos, que na ação ocupa o cargo de diretor-geral.

A música será lançada no domingo (18), no mesmo dia em que ocorrerão os ensaios-gerais em todo o país; uma semana depois (25), ocorrerão as gravações que formarão o vídeo, cujo lançamento será entre os dias 15 e 22 de Novembro. Em cada estado, a coreografia, que foi criada pelo diretor-geral, será dividida entre dois grupos: o primeiro será formado por nomes importantes da dança de cada região, enquanto o segundo será composto pelos demais participantes.

“As coreografias foram criadas pensando na diversidade rítmica brasileira e de talentos existentes, entre grupos, profissionais e estudantes de dança, celebridades e entusiastas, cada uma das sequencias estão disponíveis no meu canal no Youtube e as pessoas envolvidas poderão acessá-lo para aprender os passos certos em suas próprias casas, enquanto os dias dos ensaios e das gravações não chegam”, explica João Carlos Ramos.

Maranhão no projeto.

Dida Maranhão, coordenadora estadual do Maranhão no projeto – Foto: Arquivo Pessoal

Para facilitar a organização do evento, foram criadas coordenações para cada estado e, devido ao seu histórico de luta e militância na cultura e na arte, a escolhida para ocupar o cargo de coordenadora do Maranhão foi à atriz, diretora e professora de dança popular Dida Maranhão, que em entrevista a nossa reportagem falou sobre os desafios e benefícios de liderar a parte da ação da ONG que envolve nosso estado.

“Estamos tendo dificuldade em encontrar profissionais para a parte técnica do videoclipe, já que essa é uma ação voluntaria e poucos aceitam trabalhar de graça. Outro desafio é a direção do projeto em si, já que são muitas pessoas envolvidas na dança, tudo isso nos sobrecarrega na coordenação geral do evento, mas ao mesmo tempo sentimos muito prazer em fazermos parte disso tudo, já que é uma causa que consiste em ajudar pessoas”, comenta a coordenadora.

Dida Maranhão também comentou que os envolvidos seguirão as normas necessárias para impedir a proliferação do coronavírus.

“O uso de álcool gel será obrigatório nos dois dias (do ensaio e da gravação), estamos confeccionando máscaras que serão distribuídas, também iremos aproveitar o espaço para realizar o distanciamento social e impedir que as pessoas não fiquem perto uma das outras, também solicitamos segurança por parte da prefeitura para que as pessoas de fora e que estiverem sem mascara não se aproximem; nos ensaios realizaremos as marcações para que no dia da gravação todos saibam seus pontos”.

Um dos nomes importantes da dança maranhense que está contribuindo para o evento é Olinda Saul, professora de dança e dona da escola que carrega o seu nome; a ex-dançarina, que conheceu Betinho enquanto dançava em São Paulo nos anos 80, conta como seus profissionais e alunos estão se preparando e revela a visão que tem do projeto elaborado pela ONG que foi criada pelo sociólogo.

Herbert de Souza, fundador da ONG – Foto: Ong Ação da cidadania

“A escola esta muito cheia e resolvemos mudar a logística das aulas por causa da pandemia, dobramos o número de aulas para impedir aglomerações e começamos a trabalhar das 8h às 19h. Esse projeto confirma tudo o que o Betinho pensou ao tomar a iniciativa de realizar um trabalho desse porte, que é dar alento para a imensa camada da população que passa fome, e através disso amenizar esse sofrimento pelo menos no Natal”.

Além dos passos que foram criados e ensinados por João Carlos Ramos, também foi escolhida uma dança típica de cada estado para representar as diferentes culturas de cada canto do país e, no caso do Maranhão, o ritmo escolhido foi o tambor de crioula, que será representado por quatro coureiras (nome dado as dançarinas do tambor de crioula) e uma delas será Rosa Barbosa, que faz parte do tambor Turma dos Crioulos, há 30 anos.

“Para mim é uma honra muito grande fazer parte desse projeto, afinal é um projeto muito ligado a solidariedade e também a ideia de dar alegria para as pessoas que passam por dificuldades, assim como também fico muito feliz em saber que o tambor de crioula terá espaço nessa grande campanha, pois é uma dança sensual, animada e que faz parte da nossa cultura”, afirma Rosa Barbosa.

Texto: Ìtalo Cavalcanti – Estagiário JP Turismo



1 Comentário

  1. Campanha através da dança vai moldurar com a côres , raças, credos,entusiasmos, com toda a alegria que os brasileiros sabe mostrar , principalmente se tem ginga ou dança no pé ,com ritmo de samba e da batida do coração, como bons maranhenses que somos, principalmente acolhedores e solidários e com as nossas diversidades culturais, estaremos contribuindo com uma das mais importante campanhas de combate contra a fome, que infelizmente ainda assola o mundo!


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