Bailarinos gravam clipe para campanha

Estudiosos e admiradores da arte de dançar se juntam em prol do vídeo dançante que fará parte da edição de 2020 do Natal Sem Fome

Profissionais, entusiastas e estudantes de dança se reuniram na tarde do ultimo domingo (25) para realizarem as gravações da coreografia que faz parte do Samba dança contra a fome, complemento do projeto solidario Natal sem fome, organizado todos os anos pela ONG Ação da cidadania. As filmagens, feitas com objetivo de despertar a sensibilidade nas pessoas a ponto de convencê-las a doarem dinheiro e alimentos para quem precisa, foram realizadas na Praça Maria Aragão, no centro de São Luís.

Dançarinos do projeto durante gravação – Foto: Jailson Sousa

No dia 18 de Outubro, a ONG sediada no Rio de Janeiro lançou a musica-tema da edição desse ano do projeto, intitulada “Quem tem fome, tem pressa”, composta por Xande de Pilares, Emicida, Mosquito e Gilson Bernini e interpretada por diferentes nomes da musica brasileira. A canção irá acompanhar as filmagens que foram feitas em diferentes partes do país para a composição do clipe musical da campanha.

Xande de Pilares, um dos compositores da música-tema do projeto – Foto: Reprodução

No caso do Maranhão, quase 200 pessoas que possuem diferentes ligações com a dança participaram da coreografia, montada pelo dançarino e coreografo carioca João Carlos Ramos e que foi dividida por dois grupos de dançarinos: o primeiro foi formado por importantes nomes da dança maranhense e o segundo contou com a participação dos demais dançarinos participantes.

Tanto no dia do ensaio, que ocorreu na mesma data de lançamento da canção do projeto, quanto no dia da gravação, foram seguidas as normas necessárias para impedir a proliferação do coronavírus, como o uso obrigatório de mascara e álcool gel e a pratica do distanciamento social. O ensaio ocorreu na praça Nauro Machado, porém as tomadas aconteceram na Praça Maria Aragão, já que, de acordo com a organização, a segunda oferece mais acessibilidade do que a primeira.

Tal fator foi levado em conta devido à presença dos profissionais de dança que são cadeirantes, entre eles está Aracy Campos, que sofreu paralisia infantil aos oito meses de vida e trabalha como dançarina desde 2013, ao longo da carreira, já participou de diferentes grupos de dança e chegou a representar São Luís em eventos que ocorreram em diferentes partes dos territórios maranhense e brasileiro. Em entrevista a nossa reportagem, a dançarina do evento aproveitou para transmitir uma mensagem.

Parte dos dançarinos do evento se posicionando para o inicio das filmagens – Foto: Ítalo Cavalcanti

“Não foi meu caso, mas muitos cadeirantes chegam a ser vitima de preconceito quando demonstram interesse em dançar, porém isso não pode impedi-los de fazer o que desejam. Apesar das limitações, todos têm capacidade de alcançar seus objetivos, basta ter insistência e dedicação, até porque ninguém é obrigado a ser aceito, mas qualquer um merece ser respeitado”, conta Aracy Campos.

Aracy Campos (à esquerda) ao lado da assistente d direção Lys Lima (à direita) – Foto: Letícia Rocha

O Samba dança contra a fome também foi visto como uma forma de divulgar os trabalhos de quem ensina e também de quem pratica, é o caso das bailarinas da professora Thais Muniz, responsável por ministrar as aulas de um projeto social que tem o objetivo de dar oportunidades para crianças carentes. A educadora também conta qual método que utilizou para ensinar os passos

“Pensando em uma forma de fazer as meninas aprenderem sem muita dificuldade, eu as dividi em grupos de quatro, cada dia que se passava eu ensinava um passo diferente com cada grupo até que a coreografia inteira chegasse a ser ensaiada e depois as treinei todas juntas. Era importante fazermos certo, pois esse evento é uma oportunidade de mostrar o trabalho que desenvolvemos no projeto e de expor o potencial de quem está começando no mundo da dança”, fala Thais Muniz.

De acordo com pesquisa divulgada em Setembro pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), dos 68,9 milhões de domicílios do país, 36,7% estavam com algum nível de insegurança alimentar, atingindo aproximadamente 85 milhões de pessoas, o que justifica a importância de projetos como esse.

“Já dizia o Raul Seixas em uma de suas músicas: sonho que se sonha só é apenas um sonho e o sonho que se sonha junto se torna realidade e o sonho de todos os envolvidos é de ajudar e melhorar a dor de quem mais precisa, queremos contribuir para que pelo menos no Natal as pessoas mais carentes do Brasil tenham pratos cheios em suas mesas, afinal todos merecem uma ceia e foi isso que nos deu impulso” , conta Dida Maranhão, coordenadora do projeto no estado.

Um dos responsáveis pelas filmagens foi o diretor Diorlan Farias, encarregado da direção aérea que nos explicou como funcionou o esquema para captar os movimentos de quem estava participando da apresentação.

“A idéia sempre foi dividir as filmagens em dois planos: o primeiro é o plano aéreo, onde utilizamos um drone para mostrar a dimensão do grupo e o espaço onde estamos trabalhando de forma geral, no segundo plano pretendemos fazer gravações terrestres utilizando uma câmera de mão, para realizar uma filmagem mais detalhista e assim captar de forma mais aproximada os movimentos dos bailarinos”, conta Diorlan Farias

Bailarinos do Rio de Janeiro durante as gravações do clipe, realizadas no Sambódromo da Sapucaí – Foto: Marco Antonio Perna

As filmagens serão repassadas para a ilha de edição, de onde serão enviadas para a sede da ONG na capital fluminense e a previsão de lançamento do clipe é para a segunda quinzena de Novembro. Após o lançamento, as atenções serão 100% voltadas para as doações, que podem ser feitas pelo site oficial da organização (www.natalsemfome.org.br).

Texto: Ítalo Cavalcanti – Estagiário JP Turismo



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