Perdemos o Clube de Jovens, a Capela de São Pedro, e formamos o caráter – Em abril de 1970, a Praia da Madre de Deus, com seus imóveis ribeirinhos, sumiu do mapa, para surgir a Barragem do Bacanga, conforme se sabia que aconteceria desde maio de 1968, em nosso Clube de Jovens da Madre de Deus, que desapareceu com a Capela de São Pedro. Se não floresceu a esperança, nós lutamos, e o raciocínio, coletivista, só não sobrepujou a força brutal, talvez por que, realmente, consoante brilhou um dos ouros do jornalista Barbosa Lima Sobrinho, lendário Presidente da Associação Brasileira de Imprensa(ABI), “Existem no Brasil tão-somente dois partidos: O de Tiradentes e o de Joaquim Silvério dos Reis”. O filósofo e mestre Sócrates, lá na Grécia Antiga, antecipou este nosso posicionamento: “O que deve caracterizar a juventude é a modéstia, o pudor, o amor, a moderação, a dedicação, a diligência, a justiça, a educação. São essas as virtudes que devem formar o seu caráter.”
Uma pedra ruim no meu Calcanhar de Aquiles – Dr. José Sarney, quando governador, em abril de 1970, a construção da Barragem do Bacanga, na Praia da Madre de Deus, destruiu a casa em que nasci, fazendo-me acompanhar os meus ao barraco de palha que, na Cetrap (Comissão Executiva de Transferência de Populações), foi sorteado para a Minha Mãe, na Rua Canadá, quadra 16, nº37, no Estrangeiro, enquanto dividia essa aflição com a expectativa da realização do Vestibular à UFMA. Em 1997, no governo Roseana, eu no Serviço de Imprensa e Obras Gráficas do Estado (Sioge), foram extintas a autarquia e a minha chance de obter uma aposentadoria mais condizente com a minha formação e ostentação de competência, na direção do Diário Oficial, ou como diretor industrial, até mesmo na presidência, já com o beneplácito da Academia Maranhense de Letras (AML), da que, ali, gozava de simpatia e recebia elogios pelo meu desempenho na Revisão Literária e de coeditor. Candidatei-me por vezes a cadeiras vagas na AML, mas todas teriam que ser incensadas por Vossência, Dr. José Sarney, com o cronista social Pergentino Holanda, do seu poderoso jornal O Estado do Maranhão, arvorando-se de suprassumo da manutenção da ordem subentendida ou implícita. Aí não teria vez um filho de um pescador e de uma operária de fábrica de tecelagem, malgrado o heroísmo cotidiano e a decência da minha genealogia e os meus títulos em livros em prosa e poesia, premiações literárias e jornalísticas.
Um barraco só maior que o presépio de Mamãe guardar Jesus – Cantiga de ir Para o Anjo da Guarda, sem Deixar a Casa Paterna, na Madre de Deus, do meu livro de estreia, Uma Canção Para a Madre de Deus (de 1984), já lembrado todo, apesar da comoção de sempre: Antes, bem antes, de haver o Anjo da Guarda,/ em minha vida do bom combate e pregressa,/ a minha casa, na Madre de Deus, era real, em pé,/e começava por que eu era o rei, e a rainha ser/a minha irmã mais nova, Maria José/! Sem a Barragem do Bacanga no meio do caminho,/do Anjo da Guarda e da Madre de Deus completa,/ eu não sabendo, de cor e salteado, a Pedra de Drummond até,/ a minha casa era real, eu era o rei, e a rainha/a minha irmã mais nova, Maria José/!Era tempo bom, aberto e sem-fronteira,/ em que a barragem não era real,/e o Anjo da Guarda, nem em sonho de igualha,/tinha asas de concreto. Até que a barragem pintou,/ e eu fui acordar aonde um anjo passou —e eu fiz jus—/a me guardar e a minha gente, em barraco de palha,/só maior que o presépio de Mamãe guardar Jesus!/ Avisei aos navegantes do mar de abrolhos, no entanto,/ficando eu com a chave da poesia correta, e não mudo,/que a Barragem não me usurpou sequer o tempo todo,/ pois chegou muito tarde, para eu abrir mão de tudo/! Quando inauguraram a Barragem do Bacanga, sem vazão,/ desavisados deixaram a minha casa aberta,/sem saber que bateram com a cara na porta,/por não poderem fechar meu coração/!A minha casa sobrevive a ela mesma,/pois se comporta na barragem dela./Pena que apenas eu a vejo,/já resumida a uma porta-e-janela, /em que o passado é mais presente,/porque os dois vêm sem futuro nenhum:/ Se, quando eu nasci, a minha casa de verdade/era até maior que o tempo e um reinado,/agora, eu com mais tempo na luta, que é muito grande,/para eu entrar mais só na saudade,/ela não me cabe mais em tempo algum!
Um currículo a toda prova – Ninguém se preparou mais do que eu para estar dentre os melhores, quanto jornalista, quanto escritor e fazer honra ao mérito na condição de funcionário público estadual: Como egresso da 1.ª Turma da Escola de Governo do Maranhão com Curso de Pós-Graduação em Gestão Pública pela Universidade de Minas Gerais. Herbert de Jesus Santos, jornalista e escritor, é maranhense de São Luís, nascido na Madre de Deus, onde foi militante em movimentos socioculturais e começou sua lida pela preservação das preciosidades folclóricas, como o secular Boi de Matraca da Madre de Deus. Este interesse cresceu, como um dos fundadores da Associação dos Bumba-Bois da Ilha (ABMI), que gerenciou, em regime de comodato, o Parque do Folclore da Vila Palmeira, em 1996, quando, pesquisador, encontrou na Biblioteca Pública Benedito Leite, em jornais do séc. 19, e em outras fontes, alguns indícios da origem do Bumba-meu-boi no Maranhão. Também, compositor, é ligado a agremiações carnavalescas, quanto à Escola de Samba Turma do Quinto e à União das Escolas de Samba do Maranhão, das quais foi dirigente, além da Favela do Samba, no carnaval de 2003, com o campeão e monumental De Sousândrade e Louco, Todo nós Temos um Pouco, mas Genial e Errante Só O Guesa. Tem em parceria com Cesar Teixeira o antológico Erasmo Dias e Noites, para a Escola de Samba Pirata, de São José de Ribamar., no carnal de 1981, em São Luís.
Sem temer concursos literários – Possui títulos voltados para a presença bicentária do principal brinquedo da cultura popular maranhense e prêmios jornalísticos e literários, numa carreira que começou, em 1983, com Uma Canção Para a Madre de Deus (poemas), seguida de Um Dedo de Prosa e Bazar São Luís: Artigos para Presente e Futuro, estes dois, de crônicas, vencedores em primeiro lugar, respectivamente, em Concurso do Serviço de Imprensa e Obras Gráficas do Estado-Sioge (1984) e da Secretaria de Estado da Cultura-Secma (1987).
(Fecho na próxima edição)





































































