O setor aéreo atravessa um período de intensa transformação estrutural. De acordo com a Associação Internacional de Transporte Aéreo (IATA, sigla em inglês), o tráfego de passageiros deve crescer aproximadamente 7% ao ano entre 2025 e 2027, aumentando a pressão sobre aeroportos, companhias aéreas e toda a infraestrutura operacional. Paralelamente, reguladores e stakeholders demandam maior eficiência operacional, previsibilidade dos fluxos de viajantes e redução do impacto ambiental.
Essa combinação de crescimento e requisitos de sustentabilidade evidencia a necessidade de soluções digitais avançadas. Neste contexto, o rastreamento inteligente de bagagens representa uma tecnologia estratégica, capaz de gerar eficiência operacional mensurável e impacto ambiental direto, reduzindo perdas e custos associados à logística reversa de malas.
Segundo o Relatório de Impacto 2024, da SITA, bilhões de bagagens são processadas anualmente por sistemas integrados que fornecem visibilidade completa do percurso das malas – do check-in à esteira de desembarque. Essa rastreabilidade não apenas diminui incidentes de perda e reenvio, mas também otimiza fluxos operacionais e contribui para a meta do setor de alcançar a neutralidade de carbono até 2050.
Esse avanço tecnológico se integra a uma agenda mais ampla de sustentabilidade em aeroportos ao redor do mundo, incluindo o Brasil. Um exemplo emblemático é o Aeroporto Internacional de Salvador (SSA), que em novembro deste ano alcançou o nível ACA 5 do Airport Carbon Accreditation (ACA), tornando-se o primeiro aeroporto das Américas a atingir a neutralidade de carbono. A acreditação, reconhecida globalmente, foi concedida pelo Airports Council International – Latin America and Caribbean (ACI-LAC), comprova que o aeroporto atingiu zero emissão líquida de carbono, resultado da redução de 90% das emissões diretas (escopos 1 e 2) e compensação do restante. Em 2025, o aeroporto também foi premiado com o Inova Infra por um projeto sustentável no estacionamento, reforçando que a adoção de soluções ambientais vai além das operações do terminal e se estende a toda a infraestrutura aeroportuária, consolidando um ecossistema mais moderno, eficiente e resiliente.


No ano passado, a adoção das tecnologias da SITA para gestão de operações e rastreamento de bagagens ajudou 40 companhias aéreas a reduzir, de forma conjunta, 308 mil toneladas de CO₂. o que equivale a mais de 1.000 voltas ao mundo com uma aeronave comercial. Esses resultados demonstram que digitalização e análise de dados aplicadas à operação têm impacto direto na eficiência operacional e na sustentabilidade da aviação.
O futuro da aviação será cada vez mais digital, integrado e orientado por dados. A redução de bagagens extraviadas resulta em operações mais ágeis, maior previsibilidade logística, fluidez aos passageiros e menor impacto ambiental, consolidando um setor mais eficiente e sustentável. A tecnologia para transformar esses dados em resultados concretos já é uma realidade e deve ser adotada de forma sistemática. O desafio agora não é imaginar esse futuro, mas acelerar sua implementação para que a aviação seja, de fato, sinônimo de eficiência, inovação e sustentabilidade.
Daniel Granado – Diretor da SITA no Brasil


































































