A magia do Natal tomou conta de São Luís, e toda a atmosfera que envolve a data se sobressai nas ruas e prédios do Centro Histórico iluminados com motivos da época. As programações oficiais tomaram conta dos espaços centrais da Cidade. A municipal contou com a apresentação do Reisado Folias de Natal, que segue em cortejo até o Largo do Carmo, para o acendimento das luzes da árvore de Natal gigante e a apresentação do Coral da Secretaria Municipal de Educação (Semed), com a participação de 500 crianças. Este Circuito Natalino insere um trajeto que passa pela Avenida D. Pedro II, Praça Benedito Leite, Rua de Nazaré, Largo do Carmo e Praça João Lisboa. Além destes espaços, também foram decorados e iluminados as pontes do São Francisco e Bandeira Tribuzzi , e a fachada do Palácio La Ravardière, Pelo que se observou, a decoração deste ano, além de partes tradicionais do Natal, incluiu uma Casa do Papai-Noel e brinquedos para crianças.


Com uma programação diversificada, que se estenderá até o dia 29 de dezembro, pelo lado da gestão estadual, bandeirinhas com temática natalina enfeitam as ruas Portugal, Estrela e adjacência. O chamado Natal do Maranhão, neste ano, traz como novidades a sede do Ipem (no Calhau), que também tem atrações natalinas; Vila Encantada, com Desfile Natalino, Casa do Papai-Noel e Cantata Natalina. Durante todo o período, haverá apresentações infantis, de corais, cantatas e visitação à Casa do Papai-Noel.


Presépio, o símbolo mais autêntico do Natal —- Ao nascer em um local simples, Jesus deu início a esse costume de Natal, que seria representado por milhares de anos. Tudo começou na cidade de Nazaré, na Galileia, onde o Anjo Gabriel anunciou à Virgem Maria que ela fora escolhida para ser a mãe do Filho de Deus, e onde Jesus passou sua infância, provavelmente, por isso, o segundo centro de peregrinação mais procurado de Israel (depois de Jerusalém). Maria, uma jovem muito religiosa, após casar com José, um carpinteiro (José de Nazaré, o Operário), precisou viajar já grávida para Belém de Judá, a fim de participar do recenseamento obrigatório engendrado pelos romanos dominadores de parte do Mundo conhecido. Depois de uma cansativa viagem feita a cavalo, o casal chegou à cidade, que, por conta do censo, estava cheia, sem mais quartos em nenhuma hospedaria para que eles pudessem descansar. Porque a estribaria de um albergue era o único lugar que acharam para repousar, foi ali, diante de alguns animais, que Maria deu à luz o Menino Jesus, logo visitado pelos Reis Magos, que, consoante a Bíblia, realizaram uma leitura dos astros e constataram que o brilho singular de uma estrela anunciava o nascimento do Rei dos Reis, Jesus. Eles saíram do Oriente e foram ao encontro do local do Nascimento do Menino Sagrado, em Belém, seguindo a orientação da Estrela, levando presentes para Ele: Melquior ofereceu ouro, que representava o sinal da realeza; Baltazar levou incenso, que simbolizava o sinal de que Jesus era Filho de Deus; e o último Rei, Gaspar, concedeu mirra, um medicamento natural do Oriente Médio, que caracterizava a Humanidade de Jesus. Ao nascer em um local simples, Jesus deu início a esse costume de Natal, que seria representado por milhares de anos.
Criação do Santo Pobrezinho de Assis — Ficou voz corrente que foi São Francisco de Assis, por volta de 1223, em Greccio/Itália, quem idealizou essa forma de prestar homenagem ao Menino-Deus, construindo, então, o primeiro presépio. A partir dessa data, generalizou-se nas comunidades franciscanas esse costume de se representar simbolicamente o Nascimento do Salvador. Com o tempo, estendeu-se por terras italianas e todo o universo cristão. Acredita-se que, no Brasil, o presépio pode ter sido introduzido pelos primeiros colonos, podendo essa prática ter sido reforçada com os padres jesuítas, em 1584, sendo, por vezes, acompanhado de cantos, danças e dramatizações, usados quanto veículos para tornar mais compreensíveis aos índios e colonos os dogmas da fé e religião católicas. No Maranhão, esse hábito religioso também se difundiu, tanto que nas primeiras décadas do século 20 já era muito cultivado em São Luís.


O espírito natalino grandioso numa manjedoura — Num bordejo, em bairros centrais, a Reportagem do JP Turismo constatou que há o aguçado clima festivo para a celebração do período natalino, na preparação da chegada do Menino Jesus. As luzes da cidade, ruas, casas, prédios e igrejas se ornamentaram para a Magna Data. A tradição não sofre solução de continuidade e é representada sobremodo com a montagem dos presépios. A recriação da manjedoura, dos animais e reis reforçam a memória do Natal para os cristãos. Durante a noite, iluminados, muitos deles viram atração para famílias e crianças que guardam a lembrança das decorações em fotos. “Em diversos tamanhos e cores, a armação dos presépios se diversifica com a disposição dos fazedores e o espaço destinado à instalação. Todavia, independentemente da proporção das imagens, o propósito do ritual é recriar a palavra bíblica do Nascimento de Cristo e resgatar o espírito de fé das pessoas!” — estimou Dorilene Sousa Santos, graduada em Turismo, com mestrado em Cultura e Sociedade da UFMA, e residente na Av. Ruy Barbosa, na Madre de Deus.


No Centro de São Luís, sem perder o rumo da tradição — A Cidade habituou-se a ver os presépios dos Paços da Quaresma (neste ano, só no Beco do Pacotilha, não foi erguido o da Rua Afonso Pena), e os do Museu Histórico e Artístico do Maranhão (Rua do Sol, 203-Centro). As igrejas se esmeram na tradição: o Convento e a Igreja de Nossa Senhora do Carmo, na Praça João Lisboa, e pertencentes à Ordem dos Capuchinhos, um dos templos católicos tradicionais, localizando-se numa área tombada pelo IPHAN desde 1955. Na Igreja de Santo Antônio, aliás, houve o primeiro presépio natalino de São Luís. Na Igreja da Sé, na Praça D. Pedro II, na Igreja dos Remédios, na Praça Gonçalves Dias, na Igreja do Desterro, no largo do mesmo nome, na Igreja de São Pantaleão e na Igreja de São João, na Rua da Paz, etc.


Na Casa das Minas e na de Nagô, de culto de matriz africana — Assim como o da Casa das Minas, na Rua São Pantaleão, o primeiro terreiro de matriz africana (jeje), no Maranhão, na Casa de Nagô, na Rua das Crioulas, obedecendo a uma tradição que remonta a um tempo imemorial, no terreiro, também, de raiz afro, de origem iorubana, que vem do meado do séc.19, a feitura do presépio, com a planta murta, na semana antecedente ao Natal, segue um ritual de ladainha encabeçado pelo abnegado Alex Correia com apoio da Associação dos Amigos da Casa de Nagô, com Betinho Lima e Aírton Ferreira.
Presépios comunitários — São encontrados, há muitos anos, no Bairro da Madre de Deus, na Praça Dr. Carlos Macieira, mantido por grupo de antigos moradores, e no Bairro do João Paulo (Caratatiua), em plena rua, onde entusiastas são devotados, de acordo com as entrevistas jornalísticas, há mais de meio século.
As lapinhas de murtas — Pesquisador e produtor cultural, ex-diretor do Centro de Cultura Popular Domingos Vieira Filho, Sebastião Cardoso destaca que um dos símbolos mais utilizados pela população maranhense são as lapinhas de murta, ou presépio de murtas, feitos na época natalina, mas com características folclóricas singulares em relação a outras regiões do País, com os enfeitados ainda com ariris. “Durante a época de Reis no Maranhão, são feitas queimações de palhinhas de uma planta chamada murta, evento religioso e de Cultura Popular realizado no Maranhão, marcadas pelo desmonte do presépio que reproduz a cena do Nascimento de Jesus e a visita dos Reis Magos, havendo manifestações folclóricas que representam os pastores, como as pastorais e a dança de reis”, explicou. “A tradição dos presépios, nesta época do ano, se renova em vários pontos da cidade. É o espírito natalino que prevalece!” — arrematou.
Texto: Herbert de Jesus Santos
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