
Autores maranhenses ganham cada vez mais espaço no mercado literário com trabalhos que valorizam, de forma integrada, a criatividade artística e a produção cultural
O mundo literário ganhou novos rumos. Obras de novos escritores conquistam cada vez mais vida por meio de ilustrações, música e diferentes recursos que ampliam as possibilidades de uma leitura interativa e educativa, redescobrindo novas formas de enxergar o mundo e de despertar talentos inspirados pela junção de diferentes linguagens artísticas.
Assim, a literatura vem assumindo funções cada vez mais diversas, inclusivas e tecnológicas para difundir a arte literária, possibilitando uma atuação conjunta entre escritores que, por meio de textos, ilustrações e sons, buscam fortalecer o hábito da leitura nas escolas e também em livrarias, festivais, feiras e eventos realizados nas mais diversas cidades. Dessa forma, aproveitam o amplo potencial educativo e transformador que os livros exercem na sociedade.
As publicações infantojuvenis produzidas no Maranhão têm chegado ao mercado local com brilhantismo e, consequentemente, conquistado espaço nos cenários nacional e internacional. Essas obras destacam novos talentos e apresentam forte influência artística, consolidando tradições e raízes seculares presentes na riqueza histórica, cultural e artística das mais diversas regiões.
É um segmento no qual escritores, poetas, ilustradores e compositores se dedicam aos mais variados temas, abordando questões do cotidiano, do meio ambiente, das adversidades, da solidariedade e da acessibilidade, por meio de projetos, debates e diferentes formas de diálogo.
Surge, assim, uma nova geração de obras marcada pelo aprofundamento temático e por uma lucidez inspiradora, alimentando os leitores com uma literatura de caráter inovador e transformador. Nomes como Wilson Marques, Beto Nicácio, Iramir Araújo, Francinete Braga, Anízia Nascimento, Érica Natacha, Victor Azulay, Márcia Marques, Andréia Oliveira, Juliana Duarte, Neurivan Sousa, Virgínia Ferreira, Camila Ribeiro, Isabelle Barros, Walterline Maia, Eduardo Fernandes, João Guilherme, Milanya Caminha, Raimunda Fortes, Tatiana Carvalho, Paloma Frias, Josemary Frazão, Cilanda Faizah e Luís Felipe integram o Projeto Ler e Conhecer, coletivo que valoriza a literatura infantojuvenil com riqueza de detalhes e elevada qualidade editorial, tendo à frente a escritora Márcia Vieira.
Hoje, novos talentos são revelados entre os conterrâneos, fortalecendo um movimento literário coletivo que vem remodelando o mercado editorial maranhense. Essa produção revisita trajetórias, amplia discussões e resgata obras marcantes do imaginário popular, inspiradas tanto na cultura e no folclore maranhenses quanto nos grandes clássicos da literatura infantojuvenil brasileira, que contribuíram e continuam contribuindo para a formação social e educacional do povo brasileiro.
“Santo de casa tem que fazer milagres. Temos escritores
atravessando fronteiras, além-mar.
Temos uma profusão de literatura infantojuvenil
que precisa ganhar visibilidade.”

Nesse novo contexto literário, destaca-se a escritora Márcia Montenegro, cuja atuação reúne produção literária, formação acadêmica e iniciativas voltadas à valorização da literatura maranhense. Ao longo de sua trajetória, a autora tem contribuído para ampliar a visibilidade de escritores do Estado e fortalecer a produção infantojuvenil local.
O trabalho da escritora maranhense tem como uma de suas principais características o incentivo à produção coletiva e à valorização de outros autores do Estado. Márcia Montenegro leva consigo o propósito de reunir e aglutinar talentos, destacando, em suas falas, diversos nomes que fazem a arte literária pulsar no Maranhão, assim como aqueles que contribuem para a criação das publicações com recursos artísticos, ilustrativos, harmônicos e musicais, hoje cada vez mais interativos e sofisticados na construção temática de cada obra.
A escritora transita pelo mercado editorial com uma sólida formação acadêmica, que lhe proporciona amplo conhecimento técnico e jurídico, permitindo-lhe compreender, investigar e fortalecer mecanismos capazes de ampliar a visibilidade da produção literária maranhense.
Graduada em Direito pela Universidade Federal do Maranhão (UFMA), pós-graduada em Direito Processual Civil, Direito Penal, Direito Processual Penal e Docência do Ensino Superior, além de mestre em Ciências Jurídico-Políticas pela Universidade Portucalense, em Portugal, a maranhense de São Luís reúne diferentes áreas de atuação. Professora, roteirista, contadora de histórias, compositora, cantora e artista plástica, desenvolve uma produção que integra literatura, música e ações de incentivo à leitura.

Márcia Montenegro publica suas obras pelas editoras Terra Cultural, do Maranhão, e Fort Editora, do Ceará, reunindo títulos voltados principalmente ao público infantojuvenil. O cuidado com cada publicação, aliado ao compromisso com a formação de leitores, resulta em obras que abordam diferentes temas e ampliam a presença da literatura maranhense em escolas, feiras e eventos literários. São livros que exploram os mais diversos temas, reunindo riqueza de informações, ilustrações e recursos tecnológicos que encantam leitores de diferentes idades.

Entre seus 12 livros publicados, 11 são dedicados ao público infantojuvenil. A autora estreou na literatura adulta durante a Bienal Internacional do Livro do Rio de Janeiro, em 2018, com o romance histórico A Rosa Silvestre. Ambientada na Inglaterra de 1324, a narrativa se desenvolve em meio aos conflitos entre dinastias que antecederam a Guerra dos Cem Anos, abordando disputas territoriais e interesses políticos e econômicos, combinando personagens históricos e fictícios criados pela autora. Atualmente, o livro encontra-se em sua quarta edição.
Entre suas demais publicações destaca-se a obra não ficcional Instituto Farina: 50 anos de sólida educação cristã, que registra a trajetória de uma instituição educacional com trajetória consolidada no Maranhão. Na literatura infantojuvenil, publicou O Valor de Cada Um, atualmente em sua terceira edição, sobre inclusão e diversidade; De Todas as Formas, em segunda edição, que aborda a convivência com as diferenças; Ciranda das Letras, também em segunda edição, voltado ao processo de alfabetização; Curumim e o Segredo de Hutukara, lançado durante a Bienal Internacional do Livro de São Paulo, em 2024; Pitoco, em terceira edição, escrito em coautoria com a psicopedagoga Priscila Trindade; além de Amji e a Voz de Hutukara, O Gato sem Botas e A Coroa de Laurinha, todos em primeira edição.
Márcia Montenegro também atua nos bastidores da valorização da literatura maranhense. A escritora concluiu a redação de dois anteprojetos de lei que propõem reservar, de forma progressiva, 30% dos acervos das bibliotecas escolares públicas para obras de autores maranhenses. Uma das propostas destina-se à rede municipal de ensino de São Luís; a outra, à rede estadual do Maranhão.
“Em outros estados, leis semelhantes já fazem parte da estrutura governamental, assegurando a inclusão de um percentual significativo de obras de autores locais nos acervos públicos. No Mato Grosso, por exemplo, a Lei nº 11.820, de 2022, criada por meio do Plano Estadual do Livro, Leitura, Literatura e Biblioteca, determina que 30% dos livros das bibliotecas escolares públicas sejam de autores mato-grossenses ou publicados por editoras locais. Além disso, uma decisão normativa do Tribunal de Contas daquele Estado estabelece dotação orçamentária para que os 142 municípios possam cumprir essa determinação”, ressalta Márcia Montenegro.

Em sua atuação artística, Márcia também compõe e interpreta suas próprias músicas, muitas delas incorporadas aos seus livros. Dessa forma, une literatura, poesia e musicalidade em uma proposta pedagógica que dialoga com ritmos da cultura brasileira. Sua atuação como contadora de histórias complementa esse trabalho, levando suas obras a escolas, feiras literárias, bibliotecas públicas e comunitárias, projetos sociais e unidades do sistema prisional maranhense.
Diversos de seus títulos já foram adotados como livros paradidáticos por escolas públicas e particulares de São Luís e integram acervos de bibliotecas públicas do Maranhão. A autora participou de feiras literárias em São Luís, Codó, Itapecuru-Mirim, São José de Ribamar e Raposa, além das bienais internacionais do livro do Rio de Janeiro e de São Paulo.
Além da produção literária, Márcia Montenegro participa de instituições ligadas à cultura e à literatura maranhense. É membro da Academia Literária do Maranhão (ALMA), da Academia Maranhense de Letras Infantojuvenil e da Academia Maranhense de Ciências e Belas Artes, além de integrar o Coral Vozes do Ministério Público.
Texto: Gutemberg Bogéa
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