Região registrou crescimento de 62,4% no valor de projetos autorizados pela Lei de Incentivo ao Esporte em 2025; no Tocantins, 18 organizações já foram apoiadas pela Rede CT – Capacitação e Transformação
A Amazônia Legal está avançando na elaboração e aprovação de projetos esportivos, mas busca uma conquista ainda maior: transformar projetos aprovados em recursos efetivamente captados. Em 2025, a região alcançou R$ 321,08 milhões em projetos autorizados à captação pela Lei Federal de Incentivo ao Esporte, crescimento de 62,4% em relação ao ano anterior.
O resultado representa um movimento importante para uma região que historicamente tem participação reduzida na distribuição dos recursos destinados ao esporte. Desde a criação da Lei de Incentivo ao Esporte, em 2007, apenas 3,57% dos recursos efetivamente captados no país chegaram às organizações esportivas da Amazônia Legal. No mesmo período, 63,8% ficaram concentrados no Sudeste.
O contraste ajuda a dimensionar o desafio. A Amazônia Legal reúne nove estados e corresponde a mais da metade do território brasileiro, além de concentrar uma população superior a 30 milhões de pessoas. Ainda assim, organizações da região enfrentam dificuldades para acessar patrocinadores, estruturar projetos e transformar autorizações de captação em iniciativas efetivamente realizadas.
É nesse espaço entre a aprovação e a captação que iniciativas de formação e fortalecimento institucional começam a ganhar importância.
Capacitação ajuda organizações amazônicas
Criada em 2024, a Rede CT – Capacitação e Transformação atua na formação de organizações sociais para ampliar sua capacidade de elaboração, aprovação e captação de recursos destinados a projetos esportivos e educacionais.
A iniciativa já capacitou 316 organizações da sociedade civil em 75 municípios dos nove estados da Amazônia Legal. Desse universo, 106 projetos aprovados passaram pelos processos formativos da Rede CT. Juntos, eles representam mais de R$ 90 milhões em recursos autorizados para captação.
No Tocantins, 18 organizações já participaram das ações da Rede CT. O estado integra um cenário regional que também reúne Pará, Mato Grosso, Amazonas, Maranhão, Amapá, Acre, Rondônia e Roraima.
Os números mostram a dimensão territorial do trabalho. O Pará reúne 61 organizações acompanhadas, seguido por Mato Grosso, com 54; Amazonas, com 53; Maranhão, com 35; Amapá, com 28; Acre, com 25; Rondônia, com 22; Roraima, com 20; e Tocantins, com 18.
Além da aprovação dos projetos, organizações participantes dos programas da Rede CT já captaram mais de R$ 21 milhões para a execução de iniciativas voltadas a atletas, crianças e comunidades da região.
Para Fernando Salum, diretor da Rede Igapó, ampliar o acesso aos mecanismos de financiamento também significa enfrentar desigualdades históricas na distribuição dos recursos.
“Quando falamos em democratizar o acesso à Lei de Incentivo ao Esporte, estamos falando também de corrigir desigualdades históricas. A Amazônia Legal tem organizações com enorme potência de transformação social, mas que muitas vezes não acessavam esses mecanismos por falta de apoio técnico, redes de conexão e oportunidades”, afirma.
Esporte como ferramenta de transformação
Em muitos municípios amazônicos, projetos esportivos cumprem uma função que vai além da prática esportiva. Eles podem representar espaços de convivência, educação, promoção da saúde, desenvolvimento de habilidades e fortalecimento de vínculos comunitários, especialmente para crianças e jovens.
Por isso, a dificuldade de captação não afeta apenas as organizações que elaboram os projetos. Quando uma iniciativa aprovada não consegue encontrar patrocinadores, comunidades deixam de ter acesso a atividades que podem contribuir para a inclusão social e o desenvolvimento humano.
Segundo Gigi Favacho, gerente de projetos da Rede CT, o crescimento no número de projetos aprovados demonstra que existe uma demanda significativa por financiamento na região.
“Batemos o recorde de projetos amazônicos aprovados. São organizações sérias, atuantes e, a partir de agora, mais capacitadas, assessoradas e conectadas em rede. Nosso trabalho é caminhar junto com essas instituições para que acessem recursos, ampliem impacto e fortaleçam o esporte como instrumento de educação, inclusão e desenvolvimento social na Amazônia”, afirma.
O avanço registrado em 2025 mostra que a região começa a ocupar mais espaço na elaboração de projetos aptos a receber investimentos. O próximo desafio é ampliar a capacidade de captação e fazer com que uma parcela maior dos recursos disponíveis chegue efetivamente às organizações e comunidades amazônicas.
A Rede CT – Capacitação e Transformação nasceu da união da experiência do Instituto Futebol de Rua em desenvolvimento e captação de recursos com a atuação da Rede Igapó em projetos incentivados. A iniciativa tem o Itaú como patrocinador master e conta ainda com patrocínio da B3 e do Instituto Aegea.
O objetivo é fortalecer empreendedores sociais esportivos para o uso da Lei Federal de Incentivo ao Esporte e ampliar as condições para que projetos que utilizam o esporte como ferramenta de transformação social possam sair do papel.
Texto: Seleucia Fontes
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