O artista visual Thiago Martins de Melo inaugura, no dia 12 de agosto, sua primeira exposição individual em São Luís (MA), cidade onde nasceu. Intitulada Cosmogonia Colérica, a mostra ocupa dois espaços simbólicos do centro histórico — o Convento das Mercês e o Chão SLZ — e reúne um conjunto expressivo de 21 obras produzidas entre 2013 e 2025. A visitação será gratuita e ficará aberta ao público de 13 de agosto a 10 de outubro.


Reconhecido como um dos nomes mais potentes da arte contemporânea brasileira, Thiago retorna à ilha com uma exposição que articula pintura, escultura, vídeo e instalação em uma narrativa densa e sensível sobre espiritualidade, memória, história e resistência. “Vejo o meu trabalho a partir do lugar onde eu nasci, minha identidade está fincada na América Latina, na luz, nas cores, nas lutas e no respeito à ancestralidade”, afirma o artista.
A curadoria é de Germano Dushá, crítico e curador responsável por exposições de destaque no cenário nacional, incluindo o mais recente Panorama da Arte Brasileira no MAM São Paulo. Para ele, Cosmogonia Colérica é uma imersão em um universo simbólico forjado em atrito com a realidade.




“Em seu gesto pictórico carregado, Thiago elabora um universo visual de intensidades, incorporando o peso da história e da espiritualidade brasileira e latino-americana em fricção permanente com as questões do presente. Suas obras ativam imaginários coletivos, saberes populares e insurgências sociais, em uma fusão entre crítica e delírio, brutalismo e misticismo, denúncia e rito”, escreve Dushá.
Poética de fúria e futuros
Mais do que uma retrospectiva, a mostra celebra o retorno do artista às suas raízes. O título, Cosmogonia Colérica, alude a uma criação atravessada pela fúria — mundos nascidos em meio a choques, gritos, convulsões históricas e epifanias místicas. As obras reunidas sintetizam os principais eixos poéticos e políticos de sua produção: cenas de resistência popular, imagens sensuais, entidades espirituais, episódios históricos e corpos em mutação.




A cidade se manifesta em suas cores, na justaposição de tons que vibram como batuques e sons da encantaria. É possível reconhecer, em suas obras, ecos das matrizes afro-indígenas do Maranhão, dos rituais do tambor de mina, da força dos caboclos de pena e da sabedoria das mestras e mestres ancestrais. O povo maranhense, em seus corpos marcados por histórias de luta e resistência, pulsa como matéria viva na narrativa plástica do artista.
Thiago Martins de Melo tem obras em acervos de importantes instituições no Brasil e no exterior, como o MASP, a Pinacoteca de São Paulo, o MAM Rio, o MAC USP, o Institute of Contemporary Art (EUA) e o TBA21 (Áustria). Realizou exposições individuais na Fundação Iberê Camargo (Porto Alegre) e no Museo de Bellas Artes (Havana, Cuba), além de participar de grandes eventos internacionais como a 31ª Bienal de São Paulo, a Bienal de Lyon (França) e a Borås Art Biennial (Suécia).
Ao trazer sua obra para o Maranhão, Thiago reafirma o território como origem, força vital e centro simbólico de sua criação. Cosmogonia Colérica convida o público a adentrar esse universo — denso, sensível e radicalmente vinculado às potências do sul global.
A realização é da Brazimage com patrocínio do will bank, por meio da Lei Rouanet de Incentivo à Cultura e do Ministério da Cultura. O apoio possibilita que a exposição seja vivenciada fora do eixo Sudeste, reforçando a descentralização do acesso à arte no país.


“Acreditamos na força da cultura brasileira e no talento de nossos artistas. Patrocinar Cosmogonia Colérica, a primeira exposição individual de Thiago Martins de Melo em sua cidade natal, São Luís, é a nossa forma de celebrar e apoiar a potência de um dos nomes mais relevantes da arte contemporânea do país. É um privilégio ver o Maranhão, berço de tanta história e inspiração, sediar este evento tão significativo”, afirma Felipe Félix, CEO do will bank.
Além da exposição, o projeto propõe um programa educativo abrangente, voltado à formação de público e à articulação com artistas locais e instituições de ensino. Serão oferecidas visitas mediadas, palestras, oficinas e encontros com educadores e estudantes. Uma das atividades, a oficina Pintura como meio, foi conduzida pelo próprio artista na tarde de ontem, no Chão SLZ.
Edição: Redação JP Turismo


































































