Poeta que se preza por excelência,
como todos os grandes, mais o poeta,
parece até Jesus indo à tormenta
da Jerusalém das pedras nos profetas.
Carrega a própria Cruz e ainda faz samba,
mas só com a Poesia estiva a Cruz
de um barril de pólvora em corda bamba,
e gangrenas sociais, com luz.
Coroa de espinhos, uma miragem,
e está ali, no crânio de rosário:
uma roda-viva em sua viagem
reta em Monte de Calvário.
Coletivista, ao Povo, expulsa o cisto
dos vendilhões do templo em seu poder:
assim é tão juízo quanto Cristo,
sem Pasárgada, Páscoa, ou Reviver.(*)
É pau pra toda obra de alta História
do coser mental e do sacerdócio;
limão nas remelas da memória,
e não lava as mãos ao sujo indócil.
Esparadrapos de Março, roleta-russa
dos fuzis da ditadura ao seu monturo;
Meu Calendário em Pedaços é uma ursa
no pós-parto contra a tesão do obscuro.
Paquito, o Anjo Doido, em lucidez,
salpresa o torturador em seu escuro —
Pesadelo desossa a estupidez
de toda coerção à luz do muro.
A Madrugada dos Alcoólatras, rotação
alta de sonetos em biografia;
A Odisseia dos Pivetes, inquietação
de Ulisses e Penélope—Poesia.
50 Anos e o Terceiro Testamento—
e o universo dos Ecos do Hospício:
Hércules, sem Os Doze Mandamentos
ainda, já Atlas, sob os trancos do Globo,
pois caneta com os ossos do ofício
de escalpelar espada e o próprio lobo!
(Poema quase recitado por Herbert de Jesus Santos, no alvoroço popular em comemoração ao aniversário de 50 anos de JM Cunha Santos, a 10.11.2002, no Bar Gela Goela, na Praça do Cemitério/Madre de Deus, em São Luís. Em itálico, algumas das suas obras. *Reviver em alusão à boêmia Praia Grande. Foi inserido por Herbert de Jesus Santos em seu livro de poemas São Luís em PreAmar, em 2005.
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