Agências de receptivos e empresas focadas em turismo de experiência

Iniciativa do Sebrae no Polo São Luís tem como objetivo ampliar o acesso ao mercado, gerar produtos inovadores e alternativas criativas de reposicionamento na retomada dos negócios do turismo

O setor do turismo é um dos mais impactados com a pandemia. Dados de estudo da Fundação Getúlio Vargas/FGV apontam para uma queda de quase 40% no Produto Interno Bruto (PIB) do Turismo em 2020, com um recuo de 61% no desempenho do setor na comparação com 2019, com sinalização de que o retorno ao patamar de 2019 levará pelo menos dois anos de crescimento contínuo.

Cozinha Ancestral: Conversa ao Redor do Fogo, sobre o processo criativo do fotógrafo Taciano Brito sobre os povos indígenas – Foto: Cozinha Ancestral

Entre os pequenos negócios, dados do Sebrae de abril mostram que 76% das empresas haviam interrompido as atividades por determinações do governo, restrições nas viagens e fechamento de fronteiras em todo o mundo. Apenas 24% entre os pesquisados mantiveram-se em atividade operando sob novos padrões.

A reação a esse cenário está ligada à percepção de oportunidades e preparação para o novo normal, com a reinvenção dos negócios, novas formas de operar e de acessar o mercado, que têm a criatividade como mola propulsora.

Com esse espírito, o Sebrae colocou em prática neste mês de junho uma iniciativa que reúne clientes do projeto de Turismo Criativo no Pólo de São Luís, e agências de receptivos. Trata-se das rodadas de negócios virtuais, produto que tem agradado aos participantes, gerando boas perspectivas de negócios.

Shamia Renata Coimbra e Luís Walter Muniz: rodadas de negócios virtuais promovidas pelo Sebrae, agregam oportunidades para receptivos e negócios focados no turismo de experiências – Foto: UMC/Sebrae MA

“As rodadas são realizadas em ambiente online reunindo as agências de receptivo e negócios com potencial para oferta de produtos turísticos de experiência, possibilitando ajustes e negociações personalizadas e parcerias para a comercialização desses produtos, em um processo que vai gerar saudáveis resultados de mercado e ajudar as empresas a se reposicionarem neste momento de retomada”, explica o coordenador de Turismo e Cultura do Sebrae no Maranhão, Luiz Walter Muniz.

Experiência Inovadora

Participam da experiência os empreendimentos Ocean Kite Point, Companhia Barrica, Laborarte, Cozinha Ancestral e possivelmente a Ecotrip, como ofertantes e as agências de receptivo Caravelas, Taguatur, Gekos, Giltur, Innovar, Marencanto e Jânio Tur.

O produtor cultural e empreendedor da economia criativa, André Lobão, trouxe para a mesa de negociação virtual dois produtos inovadores da Cozinha Ancestral. O “Banquete Ritual”, que oferece experiência em torno do alimento, dialogando com outras linguagens artísticas e culturais. A outra é a “Conversa ao redor do Fogo”, rodas de conversas e/ou oficinas ao redor do fogão de barro, que envolvem o preparo dos alimentos para serem compartilhados, enfocando os rituais de preparo e o debate de temas como, por exemplo, a arte indígena e sua influência no Maranhão.

“As pessoas passam por uma experiência cultural organizada de forma ritual a partir de uma temática específica, que pode ser indígena, afro brasileira ou uma mescla do imaginário cultural do Maranhão. São servidas bebidas artesanais e um cardápio temático. Tudo isso emoldurado por linguagem artística e referências como fotografia, audiovisual, música, artes plásticas, teatro, dança e contação de histórias”, explica Lobão.

Adriano Brito, Gekos Receptivo – Foto: Arquivo Pessoal

Os dois produtos foram apresentados na rodada de negócios da qual participou a agência Gekos Receptivo, criada por Adriano Brito. “Há muito vínhamos tentando formatar, alinhar essa interação. A pandemia e a transformação digital tornaram isso possível e com um melhor engajamento dos negócios participantes. Iremos agregar ao nosso portfólio, ampliando as opções de oferta ao mercado. Alguns produtos, com os quais já trabalhávamos, propusemos ajustes para a nova realidade e os demais iremos trabalhar a comercialização nos próximos meses”, revela Brito.

Segundo ele, produtos como os apresentados pelo Laborarte, Companhia Barrica, Cozinha Ancestral, Ecotrip, Ocean Kite Point e demais empresas, tem amplo potencial para serem ofertados ao mercado, especialmente ao mercado local, nesta fase de retomada em que o turismo regional será mais valorizado como alternativa para reinserção das empresas, já que as viagens nacionais e internacionais ainda deverão levar um tempo para voltar à rotina de antes. “Essa experiência, além de nos proporcionar aproximação com negócios que tem potencial para o turismo de experiência, nos permitiu conhecer melhor como elas estão trabalhando, novos produtos como os esportes náuticos e o kite surf, dentre outros, abrindo a possibilidade de aprimorar e ajustar à nova realidade de mercado, alguns com os quais já trabalhamos e um amplo leque de novos produtos, fundamentais como alternativas de oferta ao mercado neste momento”, reforça o empresário.

Reforçando a importância dessa alternativa de acesso ao mercado, André Lobão destaca a aproximação com os receptivos. “Pudemos enfatizar os conceitos e propósitos da Cozinha Ancestral, apresentamos produtos com potencial para o turismo de experiência e as estratégias do negócio, que busca um novo posicionamento no mercado. As agências ficaram surpresas com a oferta e perceberam oportunidades nessa nova dinâmica de consumo do mercado criativo e o turismo, que está se desenhando em função dos impactos da pandemia. O Sebrae, mais uma vez, atua como um grande facilitador e provedor de soluções, focando as necessidades do empreendedor neste momento em que o turismo planeja a retomada”, comenta André Lobão.

Rogério Luna, da Kite Surf Point (à esquerda) – Foto: Ocean Kite Point

Já Rogério Luna, da Ocean Kite Point, com mais de dez anos no mercado, também destaca as oportunidades de acesso a novos parceiros. “Há dois anos, participo de iniciativas do Sebrae como feiras, o IV Salão de Turismo, a Expo Indústria, e isso tem aberto a nossa mente como empreendedor e gerado contato com outros players do mercado, algo muito válido. Com a rodada de negócios virtual, pudemos configurar os produtos junto com as agências que vão comercializar, adequando tanto que já ofertamos e outros criados para públicos que não estão sendo atingidos pela nossa empresa”, avalia Luna.

Ele também ressalta as perspectivas de novos negócios. “Agora vamos ajustar os produtos com base no feedback das agências, aprimorando as Kites Trips (rotas para a prática de kite surf) e produtos novos, como passeios de barco e de lanchas, de jet sky, abrindo o leque de nossas atividades, somando forças com as agências, isso dentro de novos padrões de segurança sanitária. Essa experiência trouxe alternativas para a retomada, com produtos como aulas e o curso de kite surf, além de novos que vamos oferecer a partir de agosto, produtos que agregam experiências ao turista, dando-lhes a oportunidade de desfrutar vivências ímpares em na capital e em destinos integrados ao polo, como Morros, Arari, Alcântara e outros”, completa o empresário.

Ventos no litoral de São Luís favorecem prática de kite surf, atividade com potencial para agregar experiências únicas aos praticantes – Foto: Ocean Kite Point

 Turismo de Experiência: Tendência que se consagra no Pós Pandemia

Uma das mais fortes tendências, o turismo de experiências desperta o interesse de turistas do mundo inteiro, aliando inovação e a possibilidade de customização de vivências turísticas, oferta de produtos exclusivos e personalizados, que envolvem emoção, o contato com a cultura local, proporcionando vivências únicas.

“A exploração desse nicho pode enriquecer produtos e roteiros turísticos locais, aumentar o fluxo e a permanência e fortalecer a atividade e as empresas envolvidas de forma direta e indireta, gerando a diversificação da oferta de seus portfólios e integração com os diversos elos da cadeia turística”, frisa a analista do Sebrae e gestora do projeto Turismo Criativo no Polo São Luís, Shamia Renata Coimbra.

As rodadas de negócios virtuais correspondem a uma das etapas de preparação das empresas integrantes do projeto de Turismo no Polo São Luís nessa retomada pós-pandemia. A ideia, além das rodadas é a formatação de 15 produtos inovadores, que passarão por adequações e receberão consultorias até chegarem ao mercado. Somados a articulação de parceiros, essas iniciativas devem gerar resultados como aumento do número de circuitos, roteiros e produtos ligados ao turismo de experiências, diversificação e ampliação do portfólio das agências receptivas e do número das que comercializam destinos e produtos de experiência no polo São Luís, com reflexo direto na melhoria do desempenho dos negócios no pós-pandemia.

Texto: Rosaline Dourado



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