O revigorar de mais um ano que vem surgindo

População revela o que espera do novo ano. Ludovicenses acreditam que 2021 trará esperança e um futuro promissor

Adeus ano velho! Feliz ano novo! São frases que a tradição repete e que, nos últimos dias de 2020 são um clamor pelo tão esperado 2021que, quiçá, chegará como uma página em branco, à espera do que cada um de nós vai decidir escrever nos próximos 365 dias e 6 horas. Um dos melhores lados do réveillon é sentir a oportunidade de ter uma nova chance para fazer o que ficou pendente, mas a tradição de celebrar o dia que também chamamos de Réveillon surgiu antes mesmo de Cristo nascer.

Fogos de artifício, um dos símbolos do Réveillon – Foto: Reprodução

Origem do Ano novo

As primeiras celebrações ocorriam em passagens de estações, já que na antiguidade os habitantes da Mesopotâmia (área onde hoje se encontram os territórios de Iraque, Kuwait, Síria e Turquia) celebravam o início da primavera em um período da história, quando a agricultura era a principal forma de sobrevivência. Tal acontecimento correspondia, como equivalência aos dias 22 e 23 de março do nosso calendário.

Na Roma Antiga, tal hábito foi comum até o ano de 46 a.c., mesmo período em que o imperador Júlio Cesar implantou o calendário juliano, decretando no início do ano, tendo por base a data de 1º de Janeiro, mês que faz referência ao deus Janus que, na mitologia romana, ficou conhecido como o deus das mudanças e das transições. Porém esse dia só foi oficializado como dia de ano novo, em 1582, no século XVI, quando o papa Gregório XIII, introduziu o calendário gregoriano na sociedade ocidental. É válido lembrar que por muito tempo o principal desejo da população, nas celebrações de ano novo, eram alimentos e fartura.

Dias atuais

A virada de ano é como se estivéssemos chegando de uma viagem, não muito longa, da qual colhemos algumas vivências, momentos felizes ou nem tanto, porém a vida precisa ser renovada e, por isso, o ano que passou é importante para servir de base a essa renovação ou renascimento. A marketer Maryana Jansen, assim como a maioria da população, não teve um ano dos mais fáceis, porém ela também contou com momentos de felicidade.

“Nunca imaginei que fosse passar por uma pandemia mundial, passar tanto tempo presa dentro de casa e com medo de tudo, a doença da minha vó, nada disso foi fácil, mas no meio de tudo isso, Deus vem com sua infinita bondade e me dá o presente mais precioso e especial que tenho na vida, minha primeira gravidez, um ser que desde julho vem se desenvolvendo em meu ventre e me enchendo de esperanças’’.

Com a onipresença do coronavírus, desde março, muitos brasileiros passaram por interferências nos mais diversos setores das suas vidas, no ano de 2020. Com a vacina prevista para chegar no primeiro semestre de 2021, boa parte da população acredita que o próximo ano será melhor que o ano em que estamos. É o caso da atriz e diretora maranhense Dida Maranhão:

Dida Maranhão, e as perspectivas de realizações profissionais – Arquivo pessoal

“Espero um ano repleto de realizações profissionais, onde eu possa formar equipes para conseguir as melhores parcerias para os projetos audiovisuais e turísticos que penso em desenvolver, assim como também espero mais solidariedade por parte das pessoas e das autoridades, exercendo da melhor forma os seus trabalhos e funções. Outro fator que espero que aconteça é o fim da pandemia”, acredita Dida.

A artista também conta que todos os anos vai à praia na última noite do ano, para colocar em prática simpatias e costumes que aprendeu com uma amiga, entre eles, pular as já conhecidas sete ondas no mar.

“Todo ano eu faço questão de me vestir de branco, orar de frente pro mar, antes de pular as sete ondas, assim como também sempre engulo 12 uvas e coloco as sementes de romã na carteira. Esses rituais contribuem para que, no ano que se aproxima, eu sinta paz e tenha sorte, além disso, também faz com que eu fique confiante e com mais força para os próximos tempos que estão por vir”.

Pulando as sete ondas – simpatias e costumes de o novo ano – Foto: Reprodução

Essas tradições são a prova de quantos elementos das mais diferentes culturas estão presentes no nosso cotidiano, visto que o uso de roupa branca, no Réveillon, se tornou comum, a partir da década de 1970, quando adeptos de Candomblé usavam tal cor para ir até a praia de Copacabana, no Rio de Janeiro, fazer oferendas a Iemanjá (rainha das águas nas religiões africanas), chamando a atenção das outras pessoas, que estavam por perto, que por sua vez viam beleza na cor das vestimentas.

Os pulos das sete ondas no mar possuem sua origem na Umbanda e também estão associados à rainha dos mares, uma vez que cada pulo é feito em sua homenagem, já que 7 é o número ligado ao seu filho Exu, porém em outras versões dessa religião, cada pulo representa os sete diferentes tipos de orixás (divindades das religiões africanas): Oxalá, Oxum, Oxóssi, Xangô, Ogum, Obaluaiê e a própria Iemanjá. A cada pulo pode ser feito um pedido para cada um dos orixás.

Em relação ao costume de engolir 12 uvas, uma a cada badalada do relógio, acredita-se que surgiu com os espanhóis que colonizaram os países da América Latina. O jornalista estadunidense Jeff Koehler, autor do livro Espanha, conta, em sua obra, que existem duas versões para a origem dessa superstição.

“Pouco tempo depois, o costume foi adotado por pessoas comuns que iam até a Porta do Sol (conhecido cartão postal de Madrid) para ouvir as badaladas da meia-noite e comiam as uvas, possivelmente para debochar da classe alta”, escreveu Koehler, em um artigo para o site da rádio estadunidense NPR.

Na primeira, os membros da burguesia espanhola escolheram copiar os costumes dos burgueses da França, na década de 80, do século XIX e passaram a comer as uvas acompanhadas de goles de vinhos espumantes.

Na segunda versão, já no ano de 1909, os produtores das vinícolas do sudeste espanhol teriam produzido mais uvas do que o necessário e, temendo em lidar com o prejuízo e suas consequências, criaram histórias dizendo que as uvas iriam atrair boa sorte para quem as consumisse.

Para a jornalista Ananda Maia, a atual situação dificulta ver com positividade o ano que nos espera, porém a profissional de comunicação conta que também acredita que o próximo ano pode ser melhor que o atual, mas que é possível extrair lições das dificuldades enfrentadas.

Vista aérea da Litorânea, palco de uma das mais tradicionais festas de ano novo de São Luís, que neste ano não irá ocorrer devido à pandemia – Foto: Meireles Junior

“O ano não foi fácil, devido a muitas perdas de cada um, porém espero que as pessoas usem isso para rever as próprias prioridades e a valorizar mais a vida, seja a própria vida ou as das outras pessoas e espero que esse aprendizado esteja mais presente no próximo ano. É impossível não lembrar os impactos causados na economia e no meio ambiente, mas espero que as crises que surgiram nos mais diversos setores comecem a se resolver”.

Podemos refletir sobre o que não deu certo nos momentos difíceis e obtermos aprendizados, além de observarmos o que podemos realizar de uma forma diferente no futuro. Acima de tudo, o novo ano traz à tona a expectativa de renovação, o anseio de que, em 2021, consigamos realizar os objetivos e sonhos de nossas vidas, uma vez que, ao avaliar o que deu errado no ano que passou, possamos construir nossas metas de forma realista.

Texto: Isabella Mendes e Ítalo Cavalcanti, estagiários JP Turismo



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