O povoado de Quebrapote surgiu no século XIX, fundado por pescadores vindos de outras regiões. Eles construíram os primeiros ranchos em um lugar privilegiado pela natureza: havia ali uma nascente de água cristalina, essencial para a sobrevivência e o cotidiano da comunidade.
Localizado ao sul da Ilha de Upaon-Açu — a ilha Grande de São Luís —, Quebrapote se desenvolveu na antiga Ponta do Quebrapotes, às margens do rio Tibiri, que deságua na Baía do Arraial.
Naquela época, o principal meio de transporte era o fluvial. Barcos vindos de Rosário traziam produtos como areia, peixe e louças de barro para o porto do Tibiri.
O rio Tibiri possuía um trecho temido: um grande poço conhecido pelos indígenas como fundão, onde três correntezas se encontravam, formando redemoinhos perigosos. A travessia só era segura durante a preamar ou a baixa-mar, quando as águas ficavam mais calmas.
Conta a tradição oral que, certa vez, uma embarcação vinda de Rosário, carregada de potes de barro, naufragou nesse poço. O mestre do barco, sem conhecer o comportamento das correntezas, acabou provocando o acidente. Muitos potes se quebraram.
Desde então, os pescadores passaram a se referir ao local como “o lugar onde quebrou os potes”. Com o tempo, essa expressão se consolidou como nome da localidade: Quebrapote.
O primeiro registro de propriedade com o nome “terras de Quebrapotes” data de 1850. Na Carta da Ilha de São Luís, elaborada em 1912 sob a direção do Dr. Justo Jansen, já constam tanto a localização da ponta quanto do povoado com esse nome.
Euges Lima – Historiador, professor, bibliófilo, palestrante e membro do Centro de Investigação Joaquim Veríssimo Serrão (CIJVS), Portugal. Sócio efetivo e ex-presidente do IHGM
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