Festival oferece opções para artistas

Godôvirá surgiu com o objetivo de estimular o setor teatral

2020 não foi um ano fácil para quem trabalha com arte e cultura, porém mesmo assim foi possível ver e realizar eventos ligados ao setor, é o caso por exemplo, da terceira edição do Godôvirá, festival de teatro de cenas curtas que ocorreu entre os dias 17 e 19 de Dezembro, organizado por estudante e professores da UFMA e que teve suas atividades transmitidas pelo Youtube, respeitando os devidos protocolos sanitários referentes à pandemia do COVID-19.

Trecho da cena curta “LIBERDADE! LIBERDADE!: Um grito no tempo”, da Poli.cia de Teatro, logo no primeiro dia do festival – Foto: Andressa PassosTrecho da cena curta “LIBERDADE! LIBERDADE!: Um grito no tempo”, da Poli.cia de Teatro, logo no primeiro dia do festival – Foto: Andressa Passos

O evento de caráter bienal, que foi realizado após aprovação do edital n° 05/2020 de fomento a projetos culturais (Lei Aldir Blanc), surgiu para alcançar uma serie de objetivos, entre eles: impulsionar um encontro  horizontal entre profissionais e estudantes das artes cênicas e abrir espaço  para a revelação de novas potências artísticas nos diversos campos e  linhas de pesquisa também das artes cênicas.

Abimaelson Santos, coordenador geral do Godôvirá, trabalhou por três anos como professor, na Universidade Federal do Ceará, e passou cinco anos coordenando a mostra universitária do Festival Nordestino de Teatro de Guaramiranga. Ele explica que no estado que possui Fortaleza como capital, existem festivais de teatro dos mais diferentes formatos e sentiu falta disso quando voltou para o Maranhão, em 2016.

Abimaelson Santos, coordenador geral do festival – Foto: Arquivo Pessoal

“No Ceará tem inúmeros festivais de teatro e em formatos bem distintos, dentre estes alguns de cenas curtas, São Luís ainda não tinha um festival neste formato, que pudesse abarcar uma produção estética que não fosse focada apenas em espetáculos de teatro. O festival de cenas curtas é uma oportunidade que jovens e veteranos artistas possam mostrar seus processos de criação que estão em andamento” explica Abimaelson Santos.

A primeira edição do Godôvirá ocorreu entre os dias 19 e 21 de Dezembro de 2016, no Casarão Angelus Novus, localizado no Centro da capital maranhense, onde foram apresentadas um total de dez cenas curtas. Nesse ano, o evento contou com o apoio do Grupo Xama Teatro e do Serviço Social do Comércio do Maranhão.

Dois anos depois, em 2018, o festival passou a ser organizado pela Gestus (empresa júnior de produção cultural do curso de Teatro da UFMA), que engajou os alunos do curso de Licenciatura de Teatro da federal maranhense em uma pesquisa de formação em produção por meio de atividades extensionistas. O patrocínio do Centro Cultural Vale Maranhão permitiu as apresentações das 12 cenas que ficaram em cartaz entre os dias 11 e 14 de Dezembro, no espaço, na rua Direita, no Centro Histórico de São Luís.

Tal edição foi alvo da monografia da então estudante de Teatro Jairiane Muniz, que ocupa as funções de coordenadora de recepção do Godôvirá desde o primeiro ano do projeto.

“O ponto do festival que foquei foi o âmbito da formação, difusão e intercâmbio que ocorre na cena teatral ludovicense entre os artistas mais experientes e os estudantes do curso de licenciatura em Artes Cênicas, que geralmente levam trabalhos que nascem no contexto da universidade e nos grupos de teatro que fazem parte. Acredito que essa troca estimula a criação de trabalhos”, revela Jairiane Muniz.

Nesse ano, o evento contou com o maior número de inscrições desde seu surgimento, contando com um total de 69 projetos, dos quais 12 foram selecionados para fazer parte da programação, além das três rodas de conversa que ocorreram nos três dias do festival. O professor Gilberto Martins é um dos membros e fundadores do NPT (Núcleo de Pesquisas Teatrais) Rascunho, que no primeiro dia do evento apresentou a cena curta “Fragmentos de Memórias em Tempo de Espera”.

Elton Panamby, artista que participou da roda de conversa “Estéticas e discursos da Performance”, no ultimo dia do evento – Foto: Edison Vieira Filho

“Essa cena, que possui 15 minutos, faz parte do espetáculo que estamos montando, chamado “Memórias de Tempos de Espera”, que em partes é baseado em uma obra escrita em 1975, pelo teatrólogo Aldo Leite, porém pensando no nosso modo de fazer teatro, ressignificamos certos detalhes, como o fato de estarmos trabalhando com a fala, algo que não acontece no texto original”, conta Gilberto Martins.

O artista também comentou sobre a visão que possui dos incentivos as produções artísticas no Maranhão.

“Seja no ponto de vista acadêmico ou no ponto de vista que envolve políticas de cultura, possuímos um grande déficit, possuímos aqui diversos estudantes de teatro e diversos artistas que não possuem muitas oportunidades e festivais como o Godôvirá, que são uma forma de incentivo, deveriam ocorrer com mais frequência, muito dizem que aqui não tem público, mas é devido ao fato de que não existem políticas que fomentem produções”.

A arte-educadora Sandra Nunes fez parte da roda de conversa cujo tema foi “Encantos do circo: das palhaçarias aos diversos públicos”, que ocorreu na tarde do segundo dia de programações.

“Foi super importante essa troca de idéias, tanto com os artistas veteranos, quanto os artistas que estão iniciando suas carreiras agora, até porque foi possível conhecer trabalhos dos mais diferentes, além disso as rodas de conversa são oportunidades para analisarmos trabalhos e idéias, pois permite novos aprendizados, que podem inclusive contribuir para que cenas curtas se desenvolvam a ponto de influenciarem espetáculos”, comenta Sandra.

As apresentações das atividades do Godôvirá 2020 (que ao contrario das outras edições, não foi competitiva) ainda estão disponíveis no canal de Youtube da Gestus Produções Culturais, que realizou o evento ao lado do Departamento de Artes Cênicas da UFMA, além da parceria da Beco Produções Culturais e a produção executiva, que ficou por conta do Xama Teatro e Bedejar Produções Artísticas.

 Programação realizada:

Dia – 17/12

Cenas – 14h – Fragmentos de Memórias em Tempo de Espera | NPT Rascunho; 14h30 Mau-Olhado | Grupo Agouro; 15h Liberdade! Liberdade! Um grito no tempo | Poli.cia de Teatro e 15h30 Fios | Coletivo Reverbere.

Debate – 16h Encenações Contemporâneas: Formatos e Discursos – Convidado: Erivaldo Oliveira – Mediação: Nicolle Machado

Dia – 18/12

Cenas – 14h PI | Grupo Remonta de Teatro; 14h30 Conversa Bufa | Sandra Cordeiro; 15h Palhaça ContaCena | Joanires Sousa e 15h30 Aquecendo pra SUBIR na vida! | Feh Marques

Debate – 16h Encantos do circo: das palhaçarias aos diversos públicos – Convidado: Sandra Nunes – Mediação: Nicolle Machado

Dia – 19/12

Cenas – 14h Contra fatos não há argumentos | Coletivo Dapavirados; 14h30 X | Solart Produções; 15h Cena “Caricias” do espetáculo Relatos de uma Mulher | Adriele             Bezerra e 15h30 Laroiê | Leônidas Portella

Debate – 16h Estéticas e Discursos da Performance – Convidado: Elton Panamby – Mediação: Victor Silper

Texto: Ítalo Cavalcanti – Estagiário JP Turismo



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