Teve início ontem (07), e prosseguirá até a próxima segunda-feira (11) o tradicional Festejo de São Benedito de Alcântara. Realizado no adro da bela igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos, também conhecida por igreja do Galo (localizada no bairro Caravela), o festejo atrai os olhares de outras plagas, além de coreiros e coreiras que se deslocam para o município, visando participar deste evento que é um dos mais importantes do calendário do turismo religioso do Maranhão.


Em razão do fato de que foram os negros escravizados que ergueram a igreja com o suor do próprio rosto, tornou-se tradição festejar São Benedito, anualmente, em frente ao templo, numa festa que vem atravessando várias gerações.
Embora tenha sofrido muitas modificações, natural do processo cultural, a festa continua atraindo o interesse dos devotos do santo, além de mestres de Tambor-de-Crioula, oriundos de vários povoados de Alcântara, sobretudo de comunidades quilombolas rurais, além de outros lugares, que se apresentam com seus grupos em frente à igreja, durante o transcurso da festa. Com o toque cadenciado dos tocadores, a dança frenética e sensual das coreiras, a realização de ladainhas e de procissão, contando com a presença de turistas e da comunidade alcantarense, o festejo continua atraindo a atenção dos adeptos dessa marcante manifestação religiosa, que sobrevive ao tempo e se fortifica cada vez mais.


Existe um pequeno jornal denominado “O Tambor de São Benedito”, trabalho da Universidade Federal do Maranhão – UFMA, publicado em São Luís em agosto de 1987, no qual, na ocasião, foram entrevistados vários atores envolvidos na organização do festejo. Seguem alguns desses depoimentos.
“A origem da festa é na senzala. Tinha a cantaria do negro e eles botavam o tambor. Antigamente, as pessoas vinham por devoção, de forma espontânea, por promessa. Havia repentistas, eles aí colocavam versos, obsequiando uma pessoa, e este lhe pagava um vinho ou uma cachaça. O pessoal não tem mais fé” (Diógenes Ribeiro).


“Hoje tudo se modificou. Antigamente, a devoção era mais respeitada. Naquela época, quando comecei a tocar na banda, ganhava 14 vinténs. Tocava clarinete, que aprendi com meu pai”. (Mestre Zoza).
“Na época de meu pai, que era um dos que dirigiam a Irmandade, Domingos Quintino Silva, ele tomava conta, tanto da igreja quanto do cemitério. Havia três santos. O verdadeiro, que é o pequeno, é que foi achado no cemitério.Ele é o dono da festa. Nessa época era novenário. Tinha os noitantes, se fazia um coreto para os músicos. Aqui já teve banda de música, acabou tudo. Era o João Mundiquinho, Valdomiro Borges, Chiquinho Braz, Miguel Silva, Olímpio Borges, Raimundo Manbá e Henrique Guará”. (Raul Soares).
“O santo tinha vários mantos, todo ano mudava um. As pessoas faziam promessas e na época da festa mandavam de São Luís. O santo possuía uma faixa de prata, um esplendor que hoje está no museu. Na época da festa, o santo ganhava muita coisa, até novilha, gado para o leilão, cacho de banana, bala, torta, galinha, jóias, cordão de ouro, etc. (Moacir Melquíades Brito Amorim).


“A história de São Benedito é que ele era um cozinheiro e dava comida para os escravos. São Benedito ia buscar flores para o senhor e as flores se transformavam em comida para os escravos. O dono da festa é a imagem que sai da procissão. É o pequeno que sai pra dançar o tambor. É o que se dança com ele, com uma toalha branca”. (Maria Pinheiro).
Serviço
O quê? Festejo de São Benedito de Alcântara
Quando? De 7 a 11 de agosto de 2025
Onde? Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos (igreja do Galo)
Promoção: Associação de São Benedito de Alcântara – ASBA
Ações do festejo: Missas, ladainhas, procissão, distribuição de alimentos, toque de Tambor-de-Crioula.
Doações pelo pix: 00.744.167/0001-67
Texto: Paulo Melo Sousa
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