Acabaram as brincadeiras momescas, mais um carnaval se foi. Deixou saudades em uns, alívios em outros. Os que gostam de brincar, se esbaldar, o carnaval é uma catarse. Alegria total. Como somos ufanistas, o carnaval brasileiro é a maior festa popular do mundo. Se é verdade não sei, mas o que não falta é gente a cair na folia por ruas, vilas, avenidas desse imenso país tropical, abençoado por Deus e bonito por natureza. Para os que gostam da paz, sossego, a bagunça do carnaval é uma sufoco, especialmente para os que não podem escafeder-se e refugiar-se bem longe.
Uns acham um amor para chamar de seu, mesmo que por poucos dias, o carnaval é uma delícia. Ainda mais quando o álcool ajuda. Com meia dúzia de Brahmas o que era feio lhe parece bonito e gostoso ou gostosa. Para os que perderam o amor no carnaval, os córneos a latejar, é hora de reunir os cacos e seguir em frente.
Tinha um vizinho, que a cada carnaval deixava a mulher e seus seis filhos pequenos em casa, só aparecia na quarta-feira de cinzas, coberto de maisena, bafo de cachaça, e muitas brigas. O bairro todo acompanhava o quiproquó. Era briga pra mais de metro.
Mas como Deus fez o mundo redondo, a girar, um dia a coisa mudou. As crianças cresceram, e em um carnaval, nossa vizinha saiu na sexta-feira de carnaval e não mais voltou. Engatou um namoro com o baterista do conjunto, que morava na rua de atrás. Quando marido soube, esbravejou, desconjurou, brigou, mas a mulher se mandou, foi tocar em outra banda. Coisas do carnaval. Isso no século passado. Muitos carnavais depois, eles reataram. Ele teve um câncer, ela acompanhou-o até o fim.
Os costumes mudaram. No carnaval muitos casais optam em abrir a relação. Cada um vai para seu lado: livre, leve e solto. E, caso ainda tenham interesse em voltar, finda a folia, retomam o relacionamento. Tempos modernos, em que lavou, tá limpo. Nada de cobranças ou dor nos córneos.
O Carnaval não é uma invenção brasileira; sua origem remonta à Antiguidade. Segundo a história, na Babilônia, duas festas possivelmente originaram o que conhecemos como Carnaval.
O Carnavalé uma tradicional festa popular realizada em diferentes locais do mundo, sendo a mais celebrada no Brasil. Apesar do forte secularismo presente no Carnaval, a festa é tradicionalmente ligada ao catolicismo, vez que sua celebração antecede a Quaresma.
A palavra Carnaval é originária do latim, ‘carnis levale’, cujo significado é “retirar a carne”. Esse sentido está relacionado ao jejum que deve ser realizado durante a Quaresma e também ao controle dos prazeres mundanos.
A associação entre o carnaval e as orgias está relacionado com as festas greco-romana, como os bacanais (festas dionisíacas, para os gregos). Seriam eles dedicados ao deus do vinho, Baco (ou Dionísio, para os gregos), marcados pela embriaguez e pela entrega aos prazeres da carne.
O carnaval não é terapia, mais é terapêutico. Uns expulsam seus capetas, outros o incorporam.
A folia na Ilha do Amor foi muito organizada, o poder público fez sua parte e os foliões puderam botar seu bloco na rua e se esbaldar. O ponto alto foi a alegria contagiante da Bicicletinha, comandado pelo editor Gutemberg Bogéa. Por onde passou fez todo mundo dançar.
Há uma máxima de que o ano só começa pra valer no Brasil após o carnaval. Se é verdade, agora é trabalhar muito para pagar as contas; diferentemente do carnaval,- que é uma vez por ano, elas chegam todo mês, quiçá todo dia.
Luiz Thadeu Nunes e Silva – Eng. Agrônomo, Palestrante, cronista e viajante. O latino americano mais viajado do mundo com mobilidade reduzida, visitou 151 países em todos os continentes. Autor do livro “Das muletas fiz asas”.
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