
O carnaval maranhense, em São Luís, especialmente, das escolas de samba, perdeu na segunda-feira passada(188.), aos 84 anos, o compositor e fundador da Escola Marambaia do Samba, Benedito Manoel Santos Ribeiro (Urubuzinho), e com o corpo sepultado às16h40min de quarta-feira, no Cemitério do Gavião. Ele faleceu num hospital de São Luís, onde deu entrada com gravíssimo problema pulmonar, por excesso de fumo, com muito cansaço, foi submetido a uma drenagem para melhorar a respiração, mas não surgiu o efeito desejado. Assim que ocorreu o desenlace de Urubuzinho, seus familiares emitiram nota, nas redes sociais, antecipando toda a emoção que seria o enterro dele: “É com profunda tristeza que a Família Marambaia vem comunicar a notícia do falecimento do nosso grande Mestre, Baluarte da Cultura Maranhense, o nosso Fundador Benedito Manoel Santos Ribeiro. Neste momento de dor, prestamos nossa homenagem ao nosso criador e quem compartilhou conosco a paixão cultural pelo carnaval, o ensinamento, momentos inesquecíveis” .
Urubuzinho deixou sua comunidade agradecida – As reverências continuaram, assim:”Sua partida deixará saudades e um vazio imenso em nossos corações, mas sua trajetória e seu legado permanecerão vivos em nossa memória! Hoje, o samba chora, a cultura perde um dos seus grandes mestres e o Bairro de Fátima uma das suas almas mais vibrantes. Partiu o querido Seu Benedito, o eterno Biné, ou simplesmente Urubuzinho!”
O necrológio emocionado do filho Nequinho – Diretor de bateria da Marambaia do Samba, o popular Nequinho Marambaia até começou firme e sereno a sua saudação ao genitor, recordando que ele ensinou arte e dignidade a todos os filhos: “Somos tudo o que ele nos ensinou! Falar dele é falar de música, de história, simplicidade, olhar tranquilo e de alegria. Grande compositor da nossa amada Escola de Samba Marambaia. Obrigado por dedicar sua vida a ensinar, criar e elevar a nossa Cultura. Que sua última viagem seja de luz e serenidade”! Aí Nequinho Marambaia elevou o tom da sua oração:”Ele já está entre outros grandes astros sambistas maranhenses”! —– e chamando um sonoro e popularizado palavrão agarrarou-se no ataúde do pai, onde já se achava, visivelmente emocionado, o neto, cantor e compositor Dennys Melodia, e sempre perto a fortaleza comovente de D.Célia, presidente vitoriosa da Escola de Samba Marambaia.

As lembranças importantes de Luís Guerreiro —-– Entrevistando o cantor e compositor Luís Carlos Guerreiro, notável morador do Bairro de Fátima, que adiantou que a Marambaia foi campeã em 2018. com o samba-enredo Nordeste Brasileiro e anos depois com exaltação a São Jorge Guerreiro, ele me deu uma luz importante ao que eu, repórter, procurava, enquanto Urubuzinho jazia “em sua última morada”, sob as vistas mais de perto da viúva, D.Maria Célia Ribeiro, Nequinho e Dennys Melodia, neto, filho de Benilma, uma das irmãs mais velhas: “O Sr. Urubuzinho creio tenha sido o último compositor em Vida do Samba antigo de batucada do Maranhão, com Zé Pivó (Mangueira), Cristóvão Alô Brasil ( Turma do Quinto), Cambota (que mora no Rio), Zé Belém de Fátima, e ainda vivo Seu Antônio de Paula (do antigo Correio do Samba, hoje Unidos de Fátima): a nossa história da oralidade está indo embora daqui!”
Um grande maranhense em síntese – Urubuzinho (Benedito Manoel Santos Ribeiro) nasceu em São Luís em 20 de dezembro de 1941, e cedo entrosou-se na vida cultural nativa, marcando sua ascensão quanto compositor e criador da Escola Marambaia do Samba. No meu entendimento, possui os requisitos para o considerarmos qual figura de grande maranhense. Conheci-o, eu de calça curta e acompanhando a Turma do Quinto, em que Meu Pai, Felipe Nery dos Santos(Felipão), era diretor de Bateria, e os compositores e cantores Cristóvão e Luiz de França, já famosos, assistindo à Marambaia se exibindo no carnaval da Praça Deodoro, vaticinaram: “Urubuzunho será um dos maiores ases do nosso carnaval de escolas de samba”! Tenho motivos de sobra para apontar os maiores sambistas das nossas agremiações sendo maranhenses excelsos, como sou, possivelmente, o maior defensor da Cultura Maranhense (Popular e Erudita).
Texto: Herbert de Jesus Santos
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