No próximo dia 20 de julho de 2026 a Academia Alcantarense de Letras, Ciências, Artes e Filosofia – ALCAF estará completando dois anos de existência. Antiga demanda da comunidade que se tornou realidade com a missão de “estimular a produção e a difusão das manifestações literárias, científicas, artísticas, culturais e filosóficas, atuando na defesa, no resgate e na preservação e valorização das tradições e da memória histórica do passado e da atualidade da antiga Tapuitapera, defendendo ainda o meio ambiente, no âmbito dos princípios da sustentabilidade”.
Várias tentativas foram feitas, há muitos anos, para viabilizar a criação dessa instituição. “Na administração do Dr. Raimundo Soares, houve uma tentativa; na época, eu era Secretário de Cultura, e o assunto foi debatido, pensou-se até no local para a sede. Contudo, a ideia não foi adiante, pois o Dr. Soares terminou o mandato antes de concretizar a proposta”, declara o artista visual, músico e escritor Valdinei Ribeiro, um dos fundadores da ALCAF. Outra tentativa foi feita pelo escritor Jomar Moraes, então presidente da Academia Maranhense de Letras, que chegou a cogitar a compra de um imóvel na cidade para sediar a tão sonhada academia. Também essa iniciativa não logrou êxito.
Logo no início do ano de 2023, o Museu Histórico de Alcântara – MHA (equipamento cultural da Secretaria de Estado da Cultura – SECMA) lançou o Projeto “Pão, Música & Poesia”, mesclando gastronomia local, música de raiz e literatura. Logo na sua terceira edição (23 de março de 2023), através de convite feito pelo diretor do MHA, escritor Paulo Melo Sousa, a programação do evento incluiu palestra da escritora Jucey Santana (que discorreu sobre a criação de uma Academia de Letras, estimulando a fundação de uma instituição dessa natureza em Alcântara, já de há muito aguardada pela comunidade). Com imediato apoio de vários interessados, logo começaram as articulações para a realização de encontros para tratar da proposta, sendo as reuniões realizadas em sala da galeria de arte do MHA, até o momento de fundação da ALCAF (20 de julho de 2024). Na época, Jucey Santana era a presidente da Federação das Academias de Letras do Maranhão – FALMA, e deu o apoio necessário à proposta.
Várias metas foram traçadas logo após a criação da entidade, sendo executado o projeto do Salão de Poesia de Alcântara (já com duas edições realizadas), a criação da biblioteca da ALCAF, apoio à ciência e à tecnologia, com participação em feiras científicas, execução do projeto “Segunda de Primeira”, com a realização de eventos culturais permanentes, efetivação do I Festival de Poesia Falada de Alcântara, estimulando a criação literária e a interpretação poética (março de 2025). O festival, que ofereceu premiação em dinheiro, reuniu um ótimo público, principalmente de pessoas da comunidade e turistas, que foram prestigiar os concorrentes. Uma das grandes realizações da ALCAF foi, em novembro do ano passado, abrigar o VI Encontro da Federação das Academias de Letras do Maranhão – FALMA, que reuniu 200 intelectuais de todo o Maranhão em torno da temática: “Alcântara como Monumento Histórico Nacional e Cidade Museu a Céu Aberto. Em defesa do Patrimônio Cultural”.
Novas metas deverão ser alcançadas ainda este ano pela ALCAF, como a realização do I Concurso de Poesia de Alcântara. “A criação da academia veio corrigir o apagamento das novas produções culturais dos artistas alcantarenses ou dos que construíram fortes laços de afeto com a cidade de Alcântara, com a cultura e sua gente; a ALCAF vem crescendo e se fortalecendo na medida em que evolui e se molda às contingências dos novos tempos e da História contemporânea. Um espaço de luz, saber e democracia”, diz Fátima Diniz, vice-presidente da ALCAF. “A celebração do segundo aniversário da ALCAF é um marco cultural da cidade. A academia nasceu não apenas como instituição, mas como um farol para o pensamento, a sensibilidade e a preservação da nossa identidade cultural, sendo um espaço de acolhimento e de resistência cultural; que esta marca funcione como combustível para alimentar as novas páginas culturais que ainda escreveremos juntos”, declara a escritora Tayla Ferreira, uma das fundadoras da Academia.
Sobre a academia, também se manifestou o Dr. Raimundo Soares (escritor, artista visual), também fundador da instituição: “Confesso a minha tamanha alegria, e uma emoção que nunca se esgota; dois anos se passaram com dedicação em prol da valorização do saber, incentivando a cultura”. Por sua vez, Zuleide Castro, também fundadora da ALCAF, complementa: “neste ano estamos muito otimistas; sabemos que os desafios são muitos, mas a perseverança em nossa caminhada é maior e nos mantém fortes a cada dia”.
Atualmente, a ALCAF possui 19 (dezenove) membros efetivos, e 11 (onze) novos membros eleitos, totalizando 30 (trinta) componentes. Em breve será publicado edital para eleição de novos membros, para que se complete o total de 40 (quarenta) integrantes do sodalício. No momento, a instituição cultural envida esforços para conseguir a sua sede própria.
Texto: Paulo Melo Sousa


























































