

Milhares de pessoas, entre devotos, brincantes de bumba-bois, pagadores de promessa e visitantes, brasileiros e estrangeiros, amanheceram no Largo de São Pedro, no dia 29 de junho, consagrado ao padroeiro dos pescadores e demais embarcadiços, com a tradição cultural-religiosa completando 86 anos de existência. Em decorrência da hora da maré, a procissão marítima aconteceria por volta das 16 h, a ser seguido do cortejo terrestre; e por isso os boieiros louvaram a imagem do santo no andor por quase toda a manhã e os fiéis pagadores de promessa até que fosse para as procissões.
Já a missa campal, oficiada pelo pároco da Igreja de São Pantaleão, começou com a chegada da procissão e o taumaturgo no andor ficou na frente do palco de som. “Está melhor do que no ano retrasado, quando levaram o santo no andor para a Igreja de São Pantaleão, e ficamos sem pagar a promessa!”—- lembrou uma antiga devota moradora do Retiro Natal, que preferiu o anonimato, e acrescentou: “A procissão marítima ficaria mais bonita e alegre com mais embarcações, como ela já teve!”


Brincadeiras juninas no novenário —- Foi eu entrevistando a popular Nega, veterana barraqueira e filha mais velha do cantador Mané Onça, do Boi da Madre de Deus, que soube do tamanho do drama que apenas imaginava: com só dois dias de movimento, era mais trabalho que lucro. Aproveitei na matéria da entrevista com Nega para chamar a atenção das autoridades culturais, e está assim a novena animada com bumba-bois de todos os sotaques.
Com a idade certa: 86 anos —-– Quando eu li, no começo de junho de 2007, nos jornais impressos, e assistir aos telejornais com informações desencontradas sobre o início da Festa de São Pedro tomei a providência mais razoável que foi realizar uma reunião entre meus parentes e nossos vizinhos mais velhos que pudessem dar à luz aparecimento da verdade sem diminuir ou aumentar um ano sequer. Eram meus primos João Batista dos Santos (com 77 anos, ex-pescador e eletricista aposentado da CEMAR), Gervásio Gomes dos Santos (com 75 anos, militar reformado do Exército) e Isabel Santos Rodrigues (com 74 anos, filha de Basílio Santos Martins, pescador e um dos fundadores do tradicional evento), e José Raimundo Carvalho (o popular Zé de Zuleide, pescador aposentado, com 103 anos, e muito lúcido para contar a verdadeira história), e Francisca Batista dos Santos (D. Chica, com 78 anos, viúva do pescador Filomeno dos Santos), e eu, filho do pescador Felipe Nery dos Santos e neto de Marcelina Cirila dos Santos (D. Marcela, a primeira zeladora da capela), ambos também fundadores da Festa de São Pedro.


Foi assim, no encontro coordenado por mim, já calejado no Jornalismo, que na noitinha de 27 de junho de 2007, após rejeitarmos a versão de que havia começado em 1900, ficamos com a unanimidade de que 1940 fora o ano da sua iniciação num largo (com uma igrejinha de taipa coberta de palha, com a imagem do santo no altar, e a novena ou nove noites de reza) para ser uma das manifestações dentre as mais alteadas do Patrimônio Cultural Maranhense. A do alvorecer de século 20, só com pescadores velejando, no Rio Bacanga, no Dia de São Pedro foi chute de uma coordenadora natural da Baixada, sem nenhum vínculo familiar na comunidade para ter a informação adequada. Se não fosse nossa intervenção ali, a Festa do Pedro Santo, quanto também querido por nós, seria divulgada, erroneamente, com 126 anos.
O livro da Festa de São Pedro —- Encontra-se no ponto de impressão o meu 14ª livro (dentre seis no ineditismo), Tudo a Ver com o Peixe de São Pedro (A Festa do Pedro Santo, o Padroeiro dos Pescadores, no Bairro da Madre de Deus), com 300 páginas e fotos de passagens interessantes no título histórico e memorial.
Texto: Herbert de Jesus Santos
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