Uma cidade as margens do mais significativo rio brasileiro, o Rio São Francisco, cercado por imensos paredões naturais, os Cânions do Xingó


Em mais uma oportunidade de conhecimento, descoberta de um país que não para de nos presentear com as mais belas histórias de lutas, batalhas, gente, povos e características singulares de cada região existente nesse imenso Brasil. Jornalistas de todas as regiões brasileiras puderam desbravar e conhecer, Piranhas, no Estado de Alagoas.
O nome Piranhas está relacionado a grande quantidade de peixes piranhas que existiam na região, quando os nativos e ribeirinhos a batizaram de Porto das Piranhas, uma região predominante da Caatinga, no tupi-guarani “Mata Branca”, caracterizada por uma vegetação seca de clima semiárido, anteriormente chamada de Tapera.
Um destino que revela a força do turismo do Nordeste e suas possibilidades, uma região que preserva sua identidade e a cultura de sua gente, recebendo bem aqueles que buscam cada vez mais lugares que possam nos surpreender e nos conquistar com as mais diferentes formas naturais, paisagens cultivadas e criadas pela natureza ao longo da história, fincadas e cravadas a partir daí em nossa memória.


Piranhas, no Sertão alagoano não foi diferente, foi possível nos fazer entender que as raízes, tradições e trajetórias traçadas em cada pedaço de terra presente na superfície terrestre desse solo, deixaram suas marcas, e estão vivas em cada rota apresentada e contada em versos e prosas por seus atores, que, de indumentárias, retratam a vida no cangaço, o navegar no leito do rio, as suas riquezas naturais e a cultura presente nas zambumbas e triângulos que ditam os ritmos nas danças e tocam os sons seculares do sertão nordestino.
A cultura do lugar está presente na fala daqueles que nos apresentam o destino. Vestido de Lampião, o guia Fábio, professor, ator e diretor de teatro, pedagogo, atuando como diretor de cultura, na Secretaria de Cultura e Turismo do município de Piranhas, nos conta toda essa trajetória, os sonhos e vivências daqueles que percorreram as ruas da cidade de Piranhas e o leito do rio que margeia todo seu Centro Histórico.


Distante 262 km da capital de Alagoas, Maceió, Piranhas é um convite ao desfrute de paisagens marcantes, de um sertão nordestino típico e real, de um imaginário brasileiro e cultural, com raízes folclóricas e histórias marcantes que hoje fazem parte principalmente da memória, e consequentemente da dramaturgia nacional, nas mais diferentes formas e conteúdos narrados e exibidos em teatros, festivais, cinemas, produções artísticas das mais diversas.
Patrimônio Histórico do Brasil pela sua rica herança cultural e arquitetônica, o município possui um dos conjuntos arquitetônicos mais bem preservados do país, datados dos séculos XIX e XX.
Um dos pontos de interesse da cidade colonial, é o Mirante Secular, uma formação piramidal, erguida no século XIX, que funcionava como um pequeno farol para os barcos que realizavam a travessia do rio, o famoso “Velho Chico”.
O destino alagoano banhado pelo Rio São Francisco conta com um dos cursos d’água mais importante do Brasil e da América do Sul – com cerca de 2.863 km de extensão, sendo 100% brasileiro e sua nascente, na Serra da Canastra, em Minas Gerais. No seu curso atravessa mais quatro estados brasileiros: Bahia, Sergipe, Alagoas, Pernambuco, se tornando fundamental para a agricultura e geração de energia, assim como para o fortalecimento o desenvolvimento de tecnologias que fomenta o crescimento da economia,


A Usina de Xingó
O município de Piranhas passou por um processo de transformação que foi fundamental para seu crescimento turístico e econômico, a Usina Hidrelétrica de Xingó, uma das maiores usinas nacionais com capacidade de geração de energia limpa para o Sistema Interligado Nacional (SIN), um sistema de transmissão de energia em diferentes regiões com fornecimento contínuo e seguro.
As obras tiveram início em 1987, sendo suas operações, em 1994. A usina tem uma capacidade instalada de 3.162 MW), além de sua função energética, a usina também impulsionou o turismo na região, com passeios de catamarã e chalana que levam visitantes a explorar as paisagens naturais e a Gruta do Talhado, pontos de visualização de toda a estrutura construída, e possibilidade de fotos marcantes durante as visitas.


Cânions do Xingó
O turismo no terceiro mais visitado destino alagoano, proporciona momentos inesquecíveis a quem segue os roteiros das chalanas e barcos que fomentam o turismo no curso do rio.
O Rio São Francisco é de um fascínio indescritível, a navegação à bordo das embarcações é embalada por canções de artistas de toda região Nordeste entre Luiz Gonzaga (in memoriam), Elba Ramalho, Zé Ramalho, Alceu Valença, Djavan e tantos outros cantores que deixaram e deixam suas marcas na musicalidade, principalmente com repertórios que retratam o sertão, a caatinga, o cangaço, antes dominado por Lampião e Maria Bonita, personagens marcantes da história.
As formações geológicas do Cânions do Xingó são resultado do processo de erosão da rocha calcária e ação da água do rio ao longo de milhões de anos. Paredões rochosos formam esse espetáculo da natureza, verticalmente perfeitos, em um cenário de proporções grandiosas, que se tornam bastante atrativos e belos, vistos um conjunto de imagens refletidas, de acordo com a posição do sol e seus reflexos nas águas e nos cânions, durante as atividades de lazer e entretenimento oferecidas na rota.
São trilhas ecológicas, mergulho, culinária típica e um banho literalmente de conhecimento. Os passeios na Rota dos Cânions, custam em torno de R$ 150,00 (cento e cinquenta reais), com prolongamentos aos paredões mais estreitos feitos em pequenas lanchas no valor de R$ 30,0 (trinta reais).
As refeições são vendidas separadamente em restaurantes no porto e no percurso às margens do rio. Os passeios duram em torno de 3 horas com paradas para banhos.




A Vila de Entremontes
Na Rota do Cangaço, não se pode deixar de visitar a Vila de Entremontes. O lugar foi o primeiro núcleo de ocupação urbana de Piranhas, datado do séc. XVII, sendo o lugar 100 anos mais velho que Piranhas, que surgiu no séc. XVIII.
Em 2003, Entremontes, assim como Piranhas foram tombados e reconhecidos Patrimônios Históricos e Paisagísticos Nacionais, mantendo intacto os seus coloridos e encantadores casarios de herança portuguesa, relíquias da arquitetura colonial.
Na Vila, a história da visita de Dom Pedro II, em 1859, quando o lugar ainda era chamado de Armazém, é um capitulo a parte. Recebido pelo tenente-coronel Anacleto Brandão e levado até o seu casario, Dom Pedro II ao ver a forma geográfica em relevo do lugar, perguntou ao tenente-coronel: “Que lugar é esse, entre os montes?”, dando a deixa do que viria a ser dado o nome da Vila, Entremontes, o lugar mágico.


A culinária de Entremontes pode ser apreciada em suculentas peixadas acompanhadas de pirão e carnes servidas com feijão e arroz, entre outros saborosos itens caseiros servidos. O artesanato de bordados é o carro-chefe do distrito, com peças que primam pelo detalhe na arte no manejo das linhas e agulhas, permitindo a personalização das peças e o enriquecer do acabamento, transformando itens simples em criações únicas e cheias de identidade.


A trilha de Lampião
A história, no lugar, nos reserva momentos de extrema nitidez do passado, a vida de Virgulino Ferreira da Silva, o Lampião, e seu bando, assim como de sua companheira Maria Bonita ou Maria Déa, a Maria Gomes de Oliveira, pode ser pressentida em toda a rota que leva até a Grota do Angico, no lado de Sergipe, no município de Poço Redondo, cerca de 200 km de Aracaju, local da chacina que pôs fim à vida do maior personagem do cangaço, no Nordeste brasileiro.
Um dos passeios mais autênticos do turismo brasileiro.
O visitante tem a oportunidade de vivenciar todo o trajeto percorrido por Lampião e seus cangaceiros, com passagens por inúmeros recantos que oferecem uma estrutura de bares, restaurantes, que nos permitem sentir os prazeres do aconchego, ouvir o canto de pássaros e conhecer pequenos animais e peixes em seu habitat.
A Grota dos Angicos
A saga interrompida.
De volta à Rota do Cangaço, o passeio segue em uma trilha de 1,5 quilômetros que leva os visitantes até a Grota do Angico onde, no dia 28 de julho de 1938, o grupo de Lampião e Maria Bonita sofreu a emboscada brutal que interrompeu a saga do casal de cangaceiros.
Por volta das 5h da manhã, quando os jagunços de Lampião, ainda acordados, se viram cercados, em um lugar que consideravam seguro, sendo eles traídos por um dos cangaceiros que tinha sido capturado momentos antes. Quando a força policial “Volante”, criada na época, justamente para eliminar o capitão, pôs fim ao reinado de Virgulino Ferreira da Silva, o Lampião.
O passeio de Chalana na Rota do Cangaço custa R$ 135,00, sendo o almoço separadamente vendido nos espaços alternativos, às margens do Rio São Francisco.
Texto: Gutemberg Bogéa
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