Com 73% dos hotéis fechados e saída de redes estrangeiras, país aposta no turismo cultural e de eventos para reverter colapso no setor
Cuba enfrenta uma das piores crises recentes de sua indústria turística. A escassez de combustível e as dificuldades econômicas levaram ao fechamento de aproximadamente 73% dos hotéis do país, enquanto sete redes hoteleiras internacionais encerraram suas operações na ilha. Segundo o primeiro-ministro cubano, Manuel Marrero, o setor está “quase completamente paralisado”, deixando cerca de 25 mil trabalhadores em situação de incerteza.
A desativação em massa fez com que praticamente 73% dos complexos hoteleiros da ilha suspendessem suas atividades por conta do desabastecimento severo de combustível e do colapso econômico. Esse cenário gerou um êxodo de multinacionais, com sete operadoras globais de turismo cancelando seus negócios no país. Entre as baixas mais expressivas estão os grupos espanhóis Meliá, Iberostar e Barceló, que gerenciavam quase metade de todos os dormitórios disponíveis em Cuba. Essa paralisia, descrita pelo primeiro-ministro Manuel Marrero como quase total, causa um impacto social direto e já afeta diretamente a subsistência de 25 mil trabalhadores, que hoje enfrentam forte incerteza profissional.
O Peso Econômico e os Bloqueios Atuais
O turismo sustentava historicamente mais de 300 mil empregos e figurava como a segunda principal atividade geradora de moedas estrangeiras para os cofres públicos. Este esvaziamento econômico agrava a falta crônica de produtos básicos e moedas fortes no país, fatores intensificados pelas sanções comerciais mantidas pelos Estados Unidos. No primeiro semestre, o fluxo despencou 64,4% no panorama geral, registrando apenas 360 mil viajantes internacionais (uma queda de 58% na comparação direta com o mesmo intervalo do ano anterior).

Plano de Recuperação Estratégica (Novos Nichos)
Para frear a retração e tentar atingir novos públicos, a administração cubana está migrando o foco do turismo tradicional de sol e praia para outras vertentes, focando no Mercado MICE com a atração prioritária de feiras corporativas, congressos empresariais, convenções e viagens de incentivo. Além disso, aposta no Turismo de Experiência e Cultura através da criação de rotas focadas na produção de tabaco e rum, passeios em veículos antigos colecionáveis, campos de golfe, gastronomia local, artesanato, dança e música. Os Polos Turísticos Alvo para o direcionamento de campanhas são o balneário de Varadero, o centro histórico de Trinidad, a cidade de Sancti Spíritus e as regiões de Havana e do Vale de Viñales, ambas tombadas como Patrimônio Mundial pela Unesco.
O plano de captação de clientes agora foca nos países do Cone Sul, em um redirecionamento geográfico de mercado. De acordo com as análises de José Luis Aguilera, assessor de turismo para a região, os esforços comerciais vão mirar em quatro países sul-americanos: Argentina (que há dez anos se mantém como o maior emissor da América Latina para a ilha, à frente do México), Chile, Uruguai e Paraguai. Quanto às projeções e metas falhadas para 2025, os modelos estatísticos indicam que o restabelecimento pleno do setor dependerá unicamente de reformas na infraestrutura básica e da segurança logística aos visitantes. As estimativas atuais apontam que Cuba deve atrair 1,81 milhão de turistas em 2025, número que frustra a meta oficial de 2,6 milhões estabelecida pelo governo e representa o pior patamar de desempenho comercial desde o ano de 2002.
Edição: Franciane Rocha Costa
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