No próximo dia 1º de outubro, São Luís viverá um momento simbólico para a sua história e para o futuro do turismo maranhense. O imponente edifício que, desde a segunda metade do século XIX, abrigou o Tesouro Público do Maranhão reabrirá suas portas como o mais novo empreendimento da rede portuguesa Vila Galé. A inauguração do hotel, somada ao início do voo direto entre Lisboa e São Luís, cria as condições para uma nova etapa da atividade turística no estado, fortalecendo o Centro Histórico, estimulando a economia local e gerando emprego e renda para a população ludovicense.
Aproveitando esse marco, vale recordar a trajetória desse belo e simbólico exemplar da arquitetura luso-maranhense. Em estilo neoclássico, o edifício foi inaugurado em 1873 para sediar o Tesouro Público da Província do Maranhão. Com a Proclamação da República, passou a abrigar o Tesouro Público do Estado, tornando-se uma das construções mais emblemáticas da paisagem urbana de São Luís, especialmente da Praia Grande, onde permanece como testemunha de mais de um século e meio da história maranhense.
A localização do prédio é, por si só, carregada de significado. Situado no coração da Praia Grande, na tradicional Rua Portugal, ele ocupa o centro da mais importante artéria comercial da cidade durante os tempos áureos do porto de São Luís. Era por essa via que circulavam mercadorias, comerciantes e viajantes, estabelecendo a principal ligação entre o porto e o núcleo urbano. Ali funcionavam importantes casas comerciais, firmas de estiva e ferragens, como a tradicional Lages & Cia., além de diversos estabelecimentos pertencentes a comerciantes portugueses, cuja presença marcou profundamente a formação econômica e cultural da cidade.
Mas por que a rua recebeu o nome de Rua Portugal? A denominação surgiu em 1906, quando a canhoneira portuguesa A Pátria visitou São Luís. O episódio motivou a municipalidade a substituir a antiga denominação da via como forma de homenagear a nação portuguesa, cuja influência sempre foi marcante na história local. Antes disso, o logradouro era conhecido como Rua do Trapiche, em referência ao trapiche de madeira existente em sua extremidade. Até 1833, a área era um verdadeiro lamaçal, sendo posteriormente aterrada e pavimentada, acompanhando o crescimento econômico da cidade.
A homenagem a Portugal revelou-se particularmente apropriada. É justamente nessa rua que se encontra o maior conjunto de fachadas revestidas de azulejos portugueses existente fora de Portugal, um dos mais expressivos símbolos da identidade arquitetônica de São Luís. A Rua Portugal também guarda outras preciosidades históricas: nela funcionou, no século XIX, o armazém de Catarina Mina, personagem marcante da história maranhense; foi instalado o primeiro elevador da cidade e também o primeiro consultório de homeopatia de São Luís, fatos que evidenciam sua importância como centro da vida econômica, social e cultural da capital.
Euges Lima
Historiador, professor, bibliófilo, palestrante e ex-presidente do IHGM


























































