

Apesar de alguns contratempos na organização dos desfiles, a festa mostrou que continua firme na sua trajetória de resgate das mais autênticas e seculares manifestações folclóricas da Grande São Luís
Mesmo no calor de quase 40%, após quase um mês de festas nos arraiais da cidade, o maranhense não abandonou a tradição e se manteve fiel ao compromisso de reverenciar o santo que encerra as festividades religiosas no folclore da capital.
A alegria esteve presente nos brincantes, a segurança da Polícia Militar do Maranhão esteve perfeita, com torres de visualização e tropas organizadas para qualquer eventualidade, assim como a presença do Batalhão de Choque; e, principalmente, do Exército que, mais uma vez, se fez presente, dando sua contribuição nessa maratona de apresentações dos batalhões de matraca, no São João maranhense. Assim como toda estrutura bem estabelecida no local, para evitar transtornos na festa que encerra o calendário de apresentações dos santos do mês de junho, em São Luís.


Uma festa popular, bastante participativa, que começou no amanhecer do dia, entrando pela tarde e se sustentando na luz da lua e das estrelas, reverenciando o santo da avenida que leva seu nome, Avenida São Marçal. Apesar de algumas falhas na organização, com agremiações folclóricas percorrendo a segunda via da avenida, enquanto outra se apresentava, a festa não foi afetada em sua totalidade, o que mostrou mais uma vez a força das tradições maranhenses.
Um público estimado em 59.770 mil pessoas passou pelo corredor folclórico do bairro do João Paulo, em mais uma edição da festa, que contou com a montagem de dois palanques, um para autoridades e amos das apresentações; e outro para idosos e pessoas com deficiência, numa festa bastante energizante e que mais uma vez superou as expectativas deste grande evento, que se sustenta cada vez mais no folclore do Estado, com sua irreverência e popularidade.




Uma grande dúvida continua, deixando um vácuo na história da festa sobre o encontro de bois, no João Paulo. Uma corrente defende ser uma festa com 99 anos – mas sem um documentação comprobatório, apenas por via oral. Enquanto uma outra vertente defende o início da festa, como sendo o ano de 1973, com a participação de Humberto de Maracanã, João Chiador – nessa época pertencente a Boi de Maracanã, e membros da agremiação folclórica do Sotaque de Matraca.
O certo é que jornalistas, historiadores, produtores e doutores da cultura popular, pesquisam e buscam informações concretas acerca da origem certa de uma festa que se tornou uma das mais importantes do calendário folclórico maranhense. Enquanto isso, turistas e nativos se apaixonam cada vez mais por essa manifestações anual que aquece o corpo, a alma e o espírito.
Para a paulista Martina da Silva, o final das festas que homenageiam São Pedro e São Marçal já tinha sido planejado desde o começo do ano. Tenho muitos amigos maranhenses e eles sempre me passaram muitas informações da festa, além de fotos e vídeos, o que aguçou a minha curiosidade.


“O que pude ver aqui é a mais pura magia do folclore brasileiro. O que se observa em São Luís durante esses dois dias é a mais intensa demonstração de fé e amor pela autenticidade dessa cultura simplesmente deslumbrante. São nessas quarenta e oito horas, de São Pedro e São Marçal, que podemos sentir de perto a verdadeira manifestação aos santos reverenciados no mês de junho. O ecoar das toadas e o ritmo vindo desses instrumentos são fascinantes e contagiantes”, comentou a paulista Martina Silva, que aproveitou para unir o final das festas juninas maranhenses com o começo de suas férias de julho, se dizendo abençoada por ter escolhido, São Luís e o Maranhão como destino.


E no João Paulo, o que se viu foram jovens, homens, mulheres, esmurrando pandeiros, batendo e repicando matracas, sacudindo maracás, deslizando as mãos nos tambores de onças, todos eles esbanjando força e ritmo, quando não, observando e testando sua capacidade de aprender a tocar e participar. O que vimos foram futuros bailarinos esbanjando categoria nos bailados, dentro e fora dos cordões.
Na festa, os mais experientes esbanjavam um ar de perplexidade e satisfação ao vê seu povo numa entrega total de alegria, de uma festa bonita, colorida e abrangente. Uma celebração que contou ainda como o apoio do Governo do Maranhão, por meio das secretarias de Estado da Cultura (Secma) e da Saúde (SES), além da Polícia Militar, do Corpo de Bombeiros, do Exército Brasileiro, da Blitz Urbana e da Secretaria Municipal de Trânsito e Transportes (SMTT).
Texto: Gutemberg Bogéa
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