A revitalização fajuta do Largo do Carmo

A revitalização fajuta do largo do carmo e da praça João Lisboa

Fiquei chocado com a informação veiculada no JP Turismo do último dia 5 de junho de 2020, quando denunciou que a reforma da Praça João Lisboa e do Largo do Carmo estaria aviltando os símbolos históricos daqueles locais públicos, com a retirada do velho relógio localizado na parte central do Largo do Carmo e dos desenhos barrocos formados pelas pedrinhas  portuguesas que emolduravam ambas as praças. Vale lembrar que uma moldura no sentido figurativo serve – entre outras atribuições – para proteger nossas memórias afetivas ou as regras vigentes em uma sociedade, por isso o velho relógio e os desenhos formados pelas pedras portuguesas são ricos em história de nossa querida São Luís. O pior de tudo isso é que as informações mais vigentes nos meios da sociedade ludovicense dizem que os desenhos construídos pela técnica portuguesas, utilizando pedrinhas serão substituídas, por bloquetes de cimento sem nenhuma referência afetiva, técnica ou histórica com o nosso passado.
Por outro lado, a retirada do relógio central do Largo do Carmo não se justifica, pois ele tornou-se símbolo desde a década de 1960, quando foi colocado naquela localidade. Até se justificaria essa retirada se fosse devolver ao local, o chafariz central com características barrocas que ali estava antes do referido relógio – lembrando que o citado chafariz deva ser devolvido funcionando e jorrando água, caso contrário não há porque retirar o relógio, mas sim restaurá-lo.  Merece ser, também, que ambos os logradouros eram emoldurados por velhos casarões portugueses com seus belos azulejos criados pelas mãos lusitanas e pelo Convento do Carmo, incluindo seus dez lances de janelas, que em reforma ocorrida ainda na primeira metade do século passado, teve demolido três lances de janelas para enlarguecer a entrada da Rua da Paz, portanto hoje o referido Convento só tem sete lances, mas mesmo assim, ainda é bastante imponente.
Quando foi alargada a entrada da Rua da Paz, houve intervenções nas extremidades das duas praças, incluindo a construção de dois abrigos para servir de terminal de passageiros de bondes e depois ônibus.  O da Praça João Lisboa há muito foi demolido, mas ficou o do Largo do Carmo – justo o que limita com o início da Rua Grande e que deveria ser igualmente retirado daquele espaço, considerando que os boxes que ali estão são totalmente insalubres e desnecessários para as necessidades atuais. Mas, infelizmente para atender aos interesses obscurantistas de comerciantes do local serão mantidos os referidos boxes que constitui o tal abrigo. Devemos deixar claro que a revitalização do Centro Histórico da Capital maranhense deixou significativa parcela de sua população bastante entusiasmada, especialmente a reforma executada na Praça Deodoro e ao longo da Rua Grande, pois esperava-se que o mesmo ocorresse com a Praça João Lisboa e com o Largo do Carmo, considerando que esperávamos que estivesse no seu comando o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN). Entretanto, para decepção daqueles mais preocupados com a qualidade das obras que deverão ser executadas nesses logradouros, essa atribuição foi transferida para a Prefeitura de São Luís, fato que tem deixado uma pulga atrás da orelha em importante parcela de nossa gente, pois as obras de iniciativa do poder público municipal são muito duvidosas, especialmente neste ano em que deverá ocorrer eleições municipais.
O medo de nossa gente é que saia dali mais duas obras eleitoreiras, que para o bom entendedor, esse termo eleitoreiro é conceituado como fajutice, obra mal elaborada ou algo que corresponda a tradicional afirmativa: “Obra para inglês ver”. Tudo isso ocorre em plena pandemia do Covid 19. Sem dúvida muito temeroso para aqueles que desejam o melhor para nossa cidade. Apesar de tudo, sigamos em frente e continuamos atravessando essa pandemia na eterna esperança por dias melhores.
Euclides Moreira Neto – Professor Mestre em Comunicação Social e Investigador Cultural.



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