Recentemente, percorri em família um roteiro que atravessou grandes centros europeus, da rica história em Roma e Milão, na Itália, à modernidade de Zurique, na Suíça. No entanto, o que mais me marcou não foram os monumentos icônicos ou a agitação das metrópoles, mas sim o silêncio e a autenticidade de regiões mais remotas, especialmente na Toscana. Foi lá que mergulhei no conceito de agriturismo – uma tendência que, embora pareça distante geograficamente, guarda semelhanças profundas e lições valiosas para o turismo nos Lençóis Maranhenses.
O agriturismo italiano é a celebração do isolamento com propósito em meio à natureza. Ao nos hospedarmos em fazendas produtoras de queijos, vinhos e azeites, vivemos uma imersão que vai além da contemplação. Participar da colheita de oliveiras para a produção de azeite, por exemplo, não é apenas lazer: é uma conexão íntima com a terra e o destino. É a prova de que o luxo contemporâneo não está no excesso, mas na exclusividade da experiência e na verdade do produto local.
Essa vivência me fez refletir sobre o nosso próprio diamante: Atins e a região dos Lençóis Maranhenses. Assim como Pienza, Montepulciano, San Quirico d’Orcia e Montalcino — pequenas e encantadoras cidades com alma de vilarejo — entraram na lista de desejo de turistas de várias partes do mundo por meio da valorização de suas raízes, o vilarejo de Atins, em Barreirinhas (MA), possui essa mesma vocação para o turismo de experiência de alto padrão.
Na minha visão, alguns dos segredos do sucesso italiano residem no investimento na qualidade da culinária, que é tratada não de forma isolada, mas de maneira integrada às demais experiências, e na transformação do simples cotidiano em evento. Quando visitamos o renomado chef Dario Cecchini, especialista na Bistecca alla Fiorentina, vimos filas de pessoas do mundo inteiro buscando não apenas uma refeição, mas o legado por trás da carne. Isso nos mostra que a gastronomia não é um anexo da viagem, mas sim parte do próprio destino.
O mundo busca, cada vez mais, locais remotos onde a natureza e o ser humano convivam de maneira harmônica e sem pressa. A Toscana faz isso com maestria há muito tempo. Nós, no Maranhão, temos a matéria-prima, o frescor do litoral e a beleza cênica e singularidade das lagoas. O caminho para consolidar Atins como um polo gastronômico e de hospitalidade de excelência passa por esse olhar: tratar o regional com o rigor da alta gastronomia e oferecer ao visitante o luxo de se sentir parte da terra. O investimento em experiências autênticas é o que nos posicionará entre os destinos mais desejados do mundo.
Saulo Prazeres – Empresário e sócio-diretor do Vila Aty, em Atins
Descubra mais sobre JP Turismo
Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.

























































