

Com acúmulo de experiência no setor, Amadeu Lisboa Jr., empresário da Babaçu Turismo, enxerga o novo momento vivenciado pelo trade no Maranhão como sendo ímpar na trajetória histórica do estado. O reconhecimento do Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses como Patrimônio Natural da Humanidade pela ONU e a nova rota aeroviária ligando a capital maranhense a Lisboa (Portugal) são destacados pelo dono de agência como marcos importantes para o desenvolvimento do setor.
Em entrevista ao JP Turismo concedida durante a primeira Expoturismo realizada pela Secretaria de Estado da Cultura, Amadeu Lisboa Jr. faz sua avaliação do turismo no estado, a repercussão internacional da divulgação do destino Maranhão, e os gargalos que enfrentamos para ingressar uma fase ideal do turismo sustentável.
JP Turismo – O Maranhão está vivenciando aquilo que se diz na aviação, em céu de brigadeiro?
Amadeu Lisboa – O momento do turismo no Maranhão é muito promissor, principalmente pela divulgação que temos por parte do poder público. Considero de excelência o trabalho que vem sendo desenvolvido pelo governo do estado, de divulgação dos atrativos do Maranhão, nacional e internacionalmente. Tem trabalhado com as instituições ligadas ao turismo, como Abav, Sebrae, Fecomércio entre outros. Isso tem facilitado e ajudado muito o turismo do estado.
JP Turismo – A avaliação sobre o turismo geralmente se atém ao número de visitantes recebidos, quando sabemos que emitir é parte do equilíbrio do negócio. Qual nossa situação nessa balança?
Amadeu Lisboa – Na área do emissivo andamos perdendo terreno. Falo em nome das agências de turismo. Foi um dos aspectos que faltou mais atenção por parte do governo do estado. No passado, participávamos de licitações. Mais recentemente, o sistema de licitação mudou e as agências começaram a perder terreno na questão do emissivo, do corporativo. Então quem quiser trabalhar com emissivo tem de trabalhar com a questão dos grupos, carteiras particulares para sobreviver nessa área.
JP Turismo – Há um crescimento do fluxo de visitantes perceptível até para leigos. Qual sua avaliação sobre essa elevação do receptivo no estado?
Amadeu Lisboa – No tocante ao turismo receptivo houve um apoio valioso para as agências locais, através da Associação Brasileira de Agências de Viagem, Abav; da Secretaria de Estado de Turismo e secretarias municipais. E aí, as agências ganharam todo um suporte de divulgação, participando de feiras que nos dão a oportunidade de apresentar nosso produto. Nesse sentido, toda a cadeia produtiva de turismo está de parabéns por estar realizando um grande trabalho em prol do desenvolvimento do turismo do estado.
JP Turismo – Essa expansão internacional da malha aérea e a projeção internacional são fatores de transformação sustentáveis?
Amadeu Lisboa – São fatores facilitadores para nós que trabalhamos no turismo. Até este ano, todos os voos que iam para Portugal saiam de Fortaleza. O público maranhense tinha de se deslocar até a capital cearense para ir a Portugal. Isso é contrassenso porque o ponto mais próximo da Europa no Nordeste do Brasil é São Luís do Maranhão. Carecíamos de uma linha direta para a Europa. A TAP atendeu ao pleito do governo do estado, de todo o trade local, e estabeleceu esse voo. Isso facilita.
JP Turismo – O turismo de massa está sendo tratado com cautela nos países desenvolvidos. Estamos no mesmo sentido ou na contramão desse posicionamento?
Amadeu Lisboa Jr. – O reconhecimento dos Lençóis Maranhenses como Patrimônio Natural da Humanidade pela Unesco serviu para aumentar ainda mais o nosso produto no mercado internacional. Agora, logicamente que isso deve ser acompanhado de uma política de preservação do Parque. Porque, enquanto muitos países da Europa estão viajando nas águas turismo mais controlado, mais sustentável, mais protegido, inclusivo reduzindo o fluxo nas principais cidades, como Madri (Espanha), os Lençóis ainda está de portões abertos, recebendo muita gente. Então, carece de uma política de controle mais rigoroso de controle. Isso já começou a acontecer, mas é preciso que isso aconteça com bastante propriedade, pensando no futuro da fauna e flora do Parque Nacional dos Lençóis.
JP Turismo – Houve então descontrole por parte dos órgãos que tem papel de zelar pela preservação do patrimônio natural?
Amadeu Lisboa – De certa forma, acredito que sim. No ano passado tivemos um fluxo inédito de turistas com destino ao parque. Eu diria que esse fluxo se deu de maneira descontrolada, porque não havia controle mais rigoroso nos checks points do ICMBIO (Instituto Chico Mendes). Hoje, com os olhos voltados para esse problema, acredito que deva haver uma redução de visitantes, tanto na entrada por Santo Amaro, como por Barreirinhas. É necessário que essa entrada se dê de maneira controlada, não agressiva ao parque, respeitando as áreas de preservação. O que acontecia é que havia entradas clandestinas por pessoas que acabavam causando grande impacto tanto para as comunidades locais como para a fauna e flora.
JP Turismo – Nossos indicadores de pobreza expõem uma situação de vulnerabilidade. Como o turismo pode contribuir para transformar essa realidade?
Amadeu Lisboa – A pobreza do Maranhão e do Brasil se deve a outros fatores. Porque o turismo é um vetor de produção de renda para as comunidades mais carente. Em Barreirinhas, por exemplo, temos vários polos de turismo comunitário, de base comunitária. Isso favorece as comunidades, proporcionando uma renda que eles jamais teriam se não fosse a atividade turística. Tudo isso de uma forma sustentável. Nesse sentido, órgão como o Sebrae tem ajudado bastante, promovendo capacitação para que desenvolvam o turismo que traga mais benefícios que malefícios. O turismo bem aproveitado na sua essência traz desenvolvimento e renda para as famílias e comunidades mais necessitadas e carentes.
JP Turismo – Quais os principais gargalos do turismo no Maranhão e como superá-los?
Amadeu Lisboa – Tudo se resolve com treinamento e educação. Se houvesse mais investimento em treinamento de comunidade, por exemplo, na abertura de novos polos turísticos, acredito que começaríamos a superar gargalos. Teríamos com isso mais condições de trabalhar com o turismo mais sustentável. A Setur vem investindo em treinamentos.
Henrique Bóis, especial para o JP Turismo
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