
A cidade de Guimarães, situada no litoral ocidental do Maranhão, mais uma vez se mostrou ser um grande atrativo entre os destinos que compreendem o extenso litoral maranhense, litoral esse ainda pouco explorado pelo turismo, mas que se apresenta como uma fonte inesgotável de atrativos entre dezenas de destinos ali fincados. A festa de São José, padroeiro de Guimarães, reuniu fiéis e visitantes em um grande evento religioso e cultural que agitou ruas, bairros e a baÃa de Cumã, com uma autêntica e marcante procissão.

O mês de setembro deixou a cidade ainda mais movimentada, pois toda a população se envolveu no evento, caracterizado como o mais importante do calendário de festas do municÃpio. Do dia 1º ao dia 10 de setembro, os vimarenses prestaram inúmeras homenagens ao santo São José. Foram procissões, missas ao ar livre e uma intensa programação cultural e religiosa, neste ano de 2024, marcado pela restauração da imagem de São José, realizada pelo conceituado artista plástico Sereno que constatou, durante o processo, que a peça, toda esculpida em cedro libanês, tem cerca de 260 anos.
História da festa

A festa de São José existe há muito tempo, mas em 1935, o Monsenhor Estrela reorganizou o festejo. Vimarense nascido em Coroatá, ele era o vigário de Guimarães na época. Além de compor o Hino Ave São José, que até hoje é o principal hino de louvor ao Santo Padroeiro, ele introduziu a procissão marÃtima, com um percurso que saÃa do Porto de Guarapiranga, passava pela BaÃa de Cumã, indo até São João de Corte e voltava seguindo a procissão terrestre. Hoje, a procissão sai desse antigo Porto de Guarapiranga, cuja avenida foi recentemente pavimentada com bloquetes, na gestão do prefeito Osvaldo Gomes, e vai até o atual porto da cidade, onde fica o trapiche, ponto preferido para observação da revoada de guarás no final da tarde.
Foram 10 dias de uma festa mobilizando a população na expressão de fé por seu santo padroeiro. A festa se concentra no Largo de São José, na praça ao lado da Igreja Matriz, onde ficam as barracas do Concurso, onde há venda de doces, comidas tÃpicas, leilões, bingos e sorteios. Uma das principais atrações é o concurso Rainha da Festa de São José. O tÃtulo vai para quem conseguir captar mais recursos com a venda de produtos nas barracas, que serão investidos em obras de manutenção da igreja. As candidatas, a cada ano, escolhem um tema para representar, como pedras preciosas, cores do arco Ãris, times, dentre outros. A disputa é sempre acirrada e movimenta as famÃlias.

Este ano, as equipes foram nomeadas de Amizade e Fraternidade. No último dia, os seis representantes das equipes, adultos, jovens e crianças, desfilaram vestidos a rigor, sob a torcida animada da plateia. A Festa de São José em Guimarães é, hoje, um grande evento do turismo religioso, atraindo pessoas de vários municÃpios do litoral ocidental maranhense.
à possÃvel afirmar que a devoção dos vimarenses a São José existe desde antes da própria fundação da cidade de Guimarães. O dono da Fazenda Guarapiranga, núcleo que deu origem à cidade, era devoto de São José. Para evitar a viagem até Alcântara para assistir missas, ele pediu ao bispo da época que ali fosse construÃda uma capela. Em 19 de janeiro de 1758, a Vila recebe, oficialmente, o nome de Vila de São José de Guimarães do Cumã, consagrando São José como o padroeiro das terras banhadas pela BaÃa de Cumã, ao norte do Maranhão.
Atrativos turÃsticos

Em conversa com o JP Turismo, o prefeito de Guimarães, Osvaldo Gomes revelou que as praias de Guimarães, que considera um espetáculo à parte, eram, realmente, um tanto isoladas, até haver a inauguração da Ponte Central-Bequimão, em março de 2022, sobre o Rio Pericumã (MA-211), com o turismo ganhando uma força propulsora considerável, porquanto o percurso da viagem entre Guimarães e Cujupe (Terminal Ferry-Boat) foi reduzido para 107 km. âAgora, Guajerutiua, Itapiranga, Recreio (a que mais concentra turistas o ano inteiro) e Praia de Araoca (Arara), banhada pela BaÃa de Cumã (onde repousa o corpo do excelso poeta Gonçalves Dias), se oferecem com mais atrativos para visitantes brasileiros e estrangeiros, com exigência de praias bonitas e limpas!â — comentou. Foi nas águas do baixio de Atins que o navio Ville de Boulogne naufragou, em 1864, levando à morte, por afogamento, o maior poeta maranhense, Gonçalves Dias, que vinha com a saúde debilitada. O fato é comprovado com um pedaço do navio exposto no Museu Histórico e ArtÃstico da cidade.
Uma cidade povoada de histórias — A colonização portuguesa do municÃpio começou no final do séc. 16, quando a Coroa portuguesa construiu um forte na BaÃa de Cumã para vigiar a movimentação de franceses rumo a Alcântara ou São LuÃs, durante as disputas entre portugueses e franceses. As terras que antes integravam o atual municÃpio de Guimarães eram ocupadas por Tupinambás, com destaque para a aldeia de Guarapiranga. Quando os franceses ocuparam a região para fundar a sua França Equinocial, receberam o apoio dos Tupinambás, porém, com sua derrota, os indÃgenas foram massacrados pelos lusitanos. Os remanescentes foram aldeados em um núcleo populacional dentro de uma sesmaria concedida a colonos portugueses e que acabaria sendo conhecida como Fazenda Guarapiranga.
Texto: Maria Cláudia Baima e Gutemberg Bogéa
























































