Ramsés Magno – Graduado em Licenciado em História, pela UFMA

Em entrevista, o professor Ramsés Magno fala do novo momento da educação no período da Pandemia do Covid 19 e das transformações que serão implantadas no ensino para o futuro. O desenvolvimento da Educação Hibrida a nova modalidade de ensino e sua adequação a um mundo ainda desconhecido pelos jovens estudantes.

ST – O ensino híbrido sempre foi visto na sociedade com certo preconceito. Hoje, teremos que nos adaptar ao “novo normal”. Qual a sua opinião sobre a inserir o ensino híbrido de forma positiva em relação aos alunos e seus familiares?

RM – Na verdade, muitas escolas no Brasil já estavam trabalhando de forma parcial o que se convencionou hoje a chamar de “Ensino Híbrido”. Algumas metodologias de ensino já vinham sendo aplicadas há algum tempo. Um exemplo que pode ser citado é a técnica da “sala de aula invertida”. Nesse modelo, o professor incentivava os alunos a se prepararem para as aulas, antes que ela começasse em sala. Isso resultou em um processo que levou professores a criarem páginas na internet, vídeos no Youtube, entre outras propostas. Assim, os professores ganhavam tempo para ampliar as discussões em sala e os alunos efetivamente ajudavam a produzir conhecimento.

Essas metodologias também sofriam críticas severas por alguns pais e mesmo educadores, que não as viam com bons olhos. Mas, curiosamente, elas nos ajudaram um pouco a enfrentar essa nova realidade. Infelizmente, isso era mais comum na rede privada de ensino.

Outro ponto interessante a ser destacado é o fato de as escolas privadas estarem vindo num grande processo de adoção de redes e sistemas de ensino. Esses sistemas agregaram muito a escolas, aos professores e aos alunos. Esses sistemas, como é o caso do Sistema SAS, adotado aqui pelo Colégio Santa Teresa, trazem com eles uma grande gama de ferramentas (vídeos, bancos de questões, planejamentos) que ajudaram a nortear as novas necessidades para esse mundo tecnológico que já estava se desenhando.

Mas seria leviano afirmar que estávamos preparados. Ainda há muita resistência! As dificuldades são inúmeras. Um exemplo interessante é imaginar que em suas residências as famílias seriam obrigadas a possuir mais aparelhos tecnológicos do que já tinham. Só os smartfones não foram suficientes para algumas tarefas. Muitos pais precisavam que seus filhos, sobretudo as famílias maiores, revezassem o uso de computadores e notebooks, pois até pais se viram obrigados a fazerem home office, o que demanda mais tecnologia para os lares e uma rotina ainda mais planejada.

Agora acreditamos que tudo isso foi um grande aprendizado para o mundo que estamos e estaremos encarando. Muitos pais ainda sentem falta de sua antiga rotina, para esses e para aqueles que possuem outras necessidades, demandas ou crenças, o voltar para sala de aula é uma luz que estavam precisando, para outros, terem seus filhos em casa lhes trazem mais conforto pela insegurança de tudo ainda que está por vir. E há aqueles (pais, alunos, professores) que acreditam que o fato de evitar o deslocamento e seus transtornos é um extraordinário ganho na qualidade de vida. Então, não há verdades nem caminhos prontos que atendam a todas às expectativas que serão traçadas a partir de agora. O Ensino Híbrido talvez seja a resposta que muitos esperavam.

Um outro ponto nos remete à estrutura física que a escola oferece, o tamanho das salas, a ventilação das mesmas, a preocupação com a higiene e as normas sanitárias, tudo isso vai dar mais segurança para os pais que optarem para o retorno de seus filhos à sala de aula.

Por fim, acredito que a inserção do Ensino Híbrido é muito positiva no que diz respeito à ampliação de possibilidades para os alunos e professores, uma vez que a própria tecnologia nos proporciona esse leque de método de ensino – como a sala de aula invertida – e é natural que a sala de aula evolua junto à sociedade.  Entretanto, devemos reconhecer que nem todos têm o mesmo democrático acesso, como posto anteriormente em relação às tecnologias presentes em casa, o que necessita de uma discussão mais ampla. Posso dizer que, de modo geral, tenho muita confiança no potencial do ensino híbrido, reconhecendo seus limites, mas buscando sempre superá-los.

 

ST – Diante da nova realidade, você concorda que as aulas síncronas e assíncronas foram oportunas para uma reflexão sobre as práticas do professor?

RM – Sem dúvidas a educação, mais do que nunca, vive o eterno dilema da busca pelas melhoras práticas, modelos e metodologias de ensino. Dessa maneira, os professores sempre estão no exercício da reflexão sobre o que é melhor. Nem sempre acompanhamos tudo que vem sendo estudado e discutido. Mas reflexão sempre irá existir. Se a aula será on-line ou gravada não deve ser o centro da discussão. Mas talvez a grande questão seria: teremos tempo de estudar e implantar tudo isso que nos é apresentado em tão pouco tempo? Aqueles que assimilam mais rapidamente largam em vantagem. Mas uma coisa é certa: não dá mais para parar no tempo. As mudanças não terão volta. E nada será como foi antes.

ST – Como está sendo estabelecer uma rotina de trabalho nessa nova realidade entre professor e aluno por trás de uma tela de computador?

RM – Com todas essas mudanças, nós, educadores, buscamos estratégias novas que possam surtir mais efeito e atrair o máximo de atenção possível dos alunos. Assim, há um maior esforço para ampliar a participação dos alunos nas aulas, o que acarreta maior tempo de preparação da aula mediante esses desafios. Devemos atentar para o fato de que grande parte dos alunos parecem estar bem adaptados a essa nova realidade, mas para outros o retorno a sala de aula lhes parece ser fundamental.

ST Fazendo uma retrospectiva dos anos que você já trabalha na instituição escolar Colégio Santa Teresa, o que você mudaria hoje no seu procedimento metodológico?

RM – Essa talvez seja a pergunta mais difícil porque a resposta seria um pouco vaga. Eu amo a tecnologia e amo explorar novas metodologias. Por essa razão e analisando todo o modelo tradicional que usamos por muito tempo, tentaria aumentar a produção autônoma dos alunos. Esse talvez seja o grande desafio da educação hoje.

Se me perguntassem o porquê de este ser o grande desafio, eu diria que os alunos ainda acham que o professor deve “vomitar” todo conhecimento. Assim, essa falta de visão dos alunos ainda os fazem achar que, quando o professor não explana tanto conteúdo na sala, fazendo-os produzir muito de forma autônoma, ele estaria, na perspectiva desses estudantes, apenas enrolando. E, na verdade, esses professores são os que estão na vanguarda da educação.

ST – Em sua opinião os alunos que estão estudando para o ENEM foram muitos prejudicados por essa pandemia? Exemplifique.

RM – A pandemia afeta a todos. Mas aqueles que já concluíram o ensino médio e já faziam cursos online para revisar por meio de algumas plataformas largam em vantagem. Para quem ainda está cursando o terceiro ano ou retomaram recentemente sua preparação para o Exame, estes estão envoltos em mais problemas, que podem comprometer seu rendimento. A situação se agrava para aqueles que têm maiores dificuldades de concentração, pois muitas vezes não encontram, em suas residências, os ambientes mais adequados para uma boa rotina de estudos. É importante frisar ainda que mesmo os bons alunos ficaram um pouco atrapalhados no começo até se adequarem às novas rotinas.

ST – Você está se sentindo confortável em dar aula neste ambiente virtual?

RM – Como havia dito antes, eu sempre gostei de tecnologia e isso faz com que não me assuste. O calor humano e o estímulo à participação são questões que ainda tornam a aula on-line um pouco desconfortável. Porque o olhar dos alunos e seus gestos são ótimos indicadores de que eles estão compreendendo o conteúdo, o que é melhor que eles simplesmente responderem que foi entendido. A aula on-line não garante que o professor veja a reação e o comportamento de todos os alunos, algo que a aula presencial é muito mais visível e perceptível, possibilitando que possamos mudar a estratégia da explicação para alcançar os alunos que, como dissemos, pelo semblante ou gestos, notamos que não compreenderam o conteúdo, mas não têm coragem ou motivação para nos dizer.

ST – O Colégio Santa Teresa sendo uma escola com 126 anos consegue ser atual. Que pontos você destacaria que a escola conseguiu implementar para que você como professor consiga fazer um bom trabalho?

RM – Nossa gestão, de forma acertada, garantiu as férias escolares e conseguiu, em tempo hábil, procurar ferramentas para serem implantadas, como o “Google For Education”. O nosso sistema educacional parceiro, o “SAS”, também procurou melhorar e inovar ferramentas em seu portal. A equipe de professores extremamente solícita, aplicada e dedicada procurou estudar e superar suas dificuldades.

A espiritualidade cristã de uma escola confessional, seus valores e preceitos são elementos que reforçam a nossa união, o prazer em compartilhar informações, soluções. Tudo isso possibilitou que superássemos as dificuldades apresentadas. Sabemos que estamos longe da perfeição, mas nosso esforço e o de nossos alunos nos fez e nos faz suplantar as grandes adversidades que se apresentam.

 



1 Comentário

  1. O nobre professor comete uma série de equívocos conceituais e, desse modo, a partir de premissas confusas, chega a raciocínios errados. Demonstra profundo desconhecimento pedagógico acerca de novas formas de ensinarão e suas relações com o contexto atual. É triste que ainda existam pessoas que se sintam aptas a falar de assuntos dos quais não conhecem. Os achismos não cabem para educadores. Lamentável!


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