O relógio, o piso da praça e a descaracterização dos logradouros públicos

O possível adeus a mais um monumento no centro da cidade voltou a deixar de antenas ligadas a população de São Luís. Pessoas que convivem no Centro dizem ter presenciado, na última terça-feira, a derrubada do antigo relógio da Praça.  As obras que continuam sendo feitas em meio à Pandemia da Covid 19 parecem, ainda por cima, colocar diversos operários em perigo, mesmo com o pico da doença crescente na capital e no Estado.

Em meio a tudo isso, está o antigo relógio da praça João Lisboa, que durante muitos anos foi símbolo e referência como monumento do tempo na capital e orientação do ambiente naquele logradouro, servindo de base das horas para os transeuntes e visitantes que ali passavam e passeavam. Tendo permanecido durante quase duas décadas parado, agora parece ter sido derrubado sem que nenhuma satisfação fosse dada à população, novamente em meio a atos dessa natureza, estarrecida com tamanha desconsideração pelo carinho e afeto que várias gerações têm pelo relógio, assim como pelos bens públicos de uma cidade que tenta, pelo seus potenciais, galgar há anos ao cenário turístico brasileiro.

 

Uma verdadeira afronta a sua gente, que vem tendo seus patrimônios históricos descaracterizados por uma cadeia destrutiva das tradições culturais, arquitetônicas, históricas e populares, no coração da cidade de São Luís. Enquanto isso, nenhuma consulta popular e nenhum questionamento das autoridades municipais na Câmara de São Luís, o que deixa monumentos, peças históricas, entregues a quaisquer designers que não se preocupam com a historicidade desses lugares e com a beleza, simplicidade e sensibilidade dos traços deixados pela arte de um passado que precisa ser reconstruído, e não apagado.

Mais uma barbárie contra o patrimônio histórico municipal, maranhense e brasileiro, tomado por atitudes sorrateiras na calada da noite. E, durante o dia, encoberto entre placas de ferros que ocultam os roubos de muitas dessas peças, as quais servem de decorações pessoais em casas e mansões. É a degradação do patrimônio de todo o povo, que já vive no sofrimento do desemprego e na falta de perspectivas, por aqueles que, ao invés de valorizar, manter e preservar; teimam em destruir, anular e descaracterizar uma cultura histórica.

Que os pisos portugueses da praça, que observamos em uma passagem pelo lugar, não sejam realmente retirados de sua originalidade, para serem substituídos por placas de concretos ou piso liso que mais parecem “Korodur” – espécie de cimento que vem sendo usados nas obras e que não demonstram nada, e nos remetem ao nada.



1 Comentário

  1. Procurem se informar antes de escrever bobagens! O Relógio saiu para ser restaurado e voltar para o local!!!! Tudo esta sendo feito conforme tem que ser feito. Quem tem bica diz o que quer, mas uma reoortagem tem que se informar por isso que a credibilidade de notícias está cada dia mais duvidosa! Falta do qie falar, fala besteira.


Deixe o seu comentário!

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *