Marco da origem do Brasil que hoje conhecemos, Porto Seguro se transformará, no mês de maio, em palco de reflexão sobre história, identidade e o papel da comunicação no turismo
Em Porto Seguro, no sul da Bahia, cada falésia, cada faixa de areia e cada pedaço de mata carregam camadas de história. De acordo com a história oficial, foi ali que, em 22 de abril de 1500, as caravelas comandadas por Pedro Álvares Cabral avistaram terra firme, dando início ao episódio que os livros registram como o Descobrimento do Brasil.


Mas a história desse território começou muito antes das velas brancas surgirem no horizonte do Atlântico. O litoral já era habitado por povos que conheciam profundamente os ciclos da natureza, os caminhos da floresta e os ritmos do mar. Entre eles, o povo Pataxó, cuja presença continua viva na região.
É justamente nesse cenário de encontros — entre passado e presente, entre diferentes narrativas sobre o Brasil — que acontecerá, entre 12 e 17 de maio, o II Encontro Nacional de Jornalistas e Comunicadores de Turismo, promovido pela Federação Brasileira de Jornalistas e Comunicadores de Turismo.
A escolha de Porto Seguro para sediar o encontro não poderia ser mais simbólica.No próximo domingo, dia 19 de abril, o país celebra o Dia dos Povos Originários, dedicado à valorização das culturas indígenas e à reflexão sobre seu papel fundamental na formação do Brasil. Poucos dias depois, na quarta, 22, recorda-se a chegada dos portugueses ao litoral baiano.
Entre essas duas datas históricas, Porto Seguro se revela como um território onde diferentes versões da história se encontram. Talvez seja justamente esse o maior convite do turismo contemporâneo, aprender a olhar os destinos não apenas como paisagens, mas como espaços de memória, identidade e pertencimento.
O Encontro
Durante o II Encontro Febtur, jornalistas e comunicadores de turismo de diversas regiões do país e do Uruguai irão participar de uma programação que mistura debates, experiências e press trips. Mais do que conhecer atrativos turísticos, a proposta é viver o destino, sentir seus ritmos, ouvir suas histórias e compreender suas múltiplas facetas culturais.
Entre os momentos mais esperados da programação está a visita à Reserva Pataxó da Jaqueira, uma iniciativa criada pela própria comunidade indígena para preservar e compartilhar sua cultura.
Ali, visitantes são recebidos em um espaço onde tradição e resistência caminham juntas. Rituais, narrativas ancestrais, conhecimentos sobre plantas medicinais e práticas culturais revelam uma perspectiva de mundo que atravessa gerações.
Para quem trabalha com comunicação turística, experiências como essa ampliam o olhar sobre o destino icônico por sua história e belezas naturais.
De acordo com a organização do evento, a programação busca ressaltar a missão e os valores da Febtur: mais do que registrar imagens bonitas ou divulgar roteiros, comunicar turismo também significa contar histórias com responsabilidade, reconhecendo as localidades e as pessoas que dão sentido a elas.
É justamente esse debate que orienta o encontro da Febtur neste ano, cujo tema é “Comunicar para conectar: inovação, sustentabilidade e mercado no turismo brasileiro”.
Em tempos de excesso de informação e narrativas rápidas, o desafio da comunicação turística talvez seja aprender a desacelerar os movimentos para observar com calma e e melhor o que cada destino carrega de beleza e humanidade.
Entre o marco da chegada europeia e a permanência dos povos originários, Porto Seguro se transformou em um grande livro aberto sobre o Brasil. E, durante alguns dias de maio, jornalistas de turismo terão a oportunidade rara de percorrer estas páginas não apenas como observadores, mas como ouvintes atentos.


Memória viva Pataxó
O povo Pataxó habita tradicionalmente regiões do sul e extremo sul da Bahia e do norte de Minas Gerais. Sua presença na região de Porto Seguro antecede em muitos séculos a chegada dos europeus ao litoral brasileiro.
Ao longo da história, os Pataxó enfrentaram deslocamentos, conflitos e processos de perda territorial. Ainda assim, mantiveram vivas diversas práticas culturais, conhecimentos tradicionais e uma forte ligação espiritual com a natureza.
Nas últimas décadas, iniciativas lideradas pela própria comunidade têm fortalecido a valorização da cultura indígena e a preservação ambiental. Um dos exemplos mais conhecidos é a Reserva Pataxó da Jaqueira, referência nacional em etnoturismo.
Criada e administrada pelos próprios indígenas, a reserva recebe visitantes interessados em conhecer aspectos da cultura Pataxó, como rituais, culinária tradicional, artesanato e saberes sobre a floresta.
Mais do que um atrativo turístico, o espaço funciona como um território de educação cultural, onde passado, presente e futuro caminham juntos.
De acordo com o Censo 2022 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), foram registradas 1.694.836 pessoas indígenas no Brasil, representando 0,83% da população total. O levantamento identificou um aumento na diversidade cultural, reconhecendo 391 etnias e 295 línguas indígenas faladas no país.
O Povo Pataxó representa uma pequena, porém importante parcela dessa comunidade, com mais de 13.500 pessoas, que utilizam o português, mas têm como língua original o Patxohã.
A visita à Reserva Pataxó está programada para o dia 14 de maio.
Encontro Febtur
É crescente a expectativa em torno do II Encontro Nacional de Jornalistas e Comunicadores de Turismo, em maio. As inscrições estão abertas no portal da entidade – febtur.org.br – e as novidades são atualizadas diariamente pelas redes sociais (@febturbr e regionais) e pelos meios de comunicação parceiros da entidade.
O presidente nacional, Gorgônio Loureiro, lembra que as inscrições continuam abertas para associados e não associados interessados na pauta turística. A programação inclui Jornada Técnica com cinco palestras, mesa-redonda, Roda Literária, Rodada de Conversa, apresentação dos destinos Porto Seguro e Canelones (Uruguai).
As visitas técnicas e confraternizações envolvem diversos equipamentos turísticos e ocorrerão entre os dias 14 e 16 de maio, sendo o último dia destinado ao retorno dos participantes às suas cidades de origem.
“Será um período perfeito para mergulhar na experiência Porto Seguro: sol, mar, praias convidativas, gastronomia diversa e vivências nas aldeias indígenas Pataxó”, frisa o secretário de Turismo, Guto Jones.
O evento é uma realização da Febtur Nacional e Febtur Bahia, com apoio da Prefeitura de Porto Seguro, do Governo da Bahia, da ABIH Bahia, entre outras parcerias.
Texto: Seleucia Fontes
Descubra mais sobre JP Turismo
Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.




























































