Um adeus ao Jornalista João Zuccaratto

Um mestre na arte de fazer amigos e contar histórias que nos faziam viajar

O post “Algumas curiosidades interessantes sobre origem histórica do moderno idioma Italiano” publicado no último dia 7 de setembro foi a última “viagem jornalística” produzida por João Zuccaratto, jornalista especializado em Turismo, baseado em Vitória (ES) em seu conceituado Blog Turismoria, sobre viagens e afins.

O ex- Presidente da ABRAJET – ES deixou saudosa e muito triste uma legião de amigos que colecionou em diversos estados do Brasil e de outros países, ao falecer repentinamente aos 60 anos na última terça – feira (22.09); vítima de um infarto fulminante.

Uma viagem indesejada para esse amante das letras e dos mapas. Ele uniu com brilhantismo as duas paixões em um único ofício, o jornalismo e o turismo ao criar e editar seu Blog Turismoria; e sempre brindava seus leitores com ricos textos que eram um misto de pesquisa, literatura, curiosidades e bons serviços sobre os destinos comentados.

Amigos reunidos na Feijoada do Maranhão em BH: Os jornalistas João Zuccaratto e Gutemberg Bogéa com o engenheiro José Domingues Neto – Foto: Divulgação

Inteligente, animado e antenado, era um homem que acompanhava a evolução do mundo em todas as esferas; mas fazia questão de manter a cordialidade e a humildade, sempre com um amplo sorriso na face. Era colaborador de diversas revistas, colunas e jornais em vários estados, a exemplo da Revista Maranhão Turismo editada por sua amiga Léa Zacheu e desse JP Turismo, de seu grande amigo Gutemberg Bogéa. Gutemberg e Zaccaratto eram também bons parceiros de viagens e juntos já deram muitas gargalhadas em bons momentos compartilhados.

E sobre o Maranhão ele escrevia com a propriedade de quem bem conhecia essa terra. Era um assíduo visitante da capital maranhense, e não perdia uma edição da Feijoada do Maranhão, evento de intercâmbio cultural entre o MA e MG promovido pelo fotógrafo Valdez Maranhão, um grande e velho amigo de Zuccaratto.

O casal José Domingues e Danielle Vieira sendo recebidos por Zuccaratto em Vitória (ES) em 2018 – Foto: Divulgação

E foi através de Valdez em uma edição da Feijoada em BH, que tive a sorte de ser apresentada, junto com meu marido José Domingues ao Zuccaratto. Foi amizade sincera à primeira vista. Ele que conhecia bem Minas, fez questão de nos apresentar diversos redutos históricos e barrocos de um Estado que se revelou ainda mais interessante e rico em detalhes graças a esse luxuoso guia que tivemos nessa viagem.

Depois, tivemos outros encontros – em São Luís, BH e também na terra dele, onde se revelou no nível máximo de gentileza, hospitalidade e atenção ao nos receber em Vitória. Com ele, uma viagem era um verdadeiro caleidoscópio de descobertas. Detalhes da história do local; curiosidades do povo, impressões da cultura, descobertas gastronômicas e, como ninguém é de ferro, bons brindes e chopps ao longo da jornada.

Quando se perde um amigo, deve-se aceitar a vontade de Deus, e rezar por ele e sua família. Mas confesso ser essa, uma dura missão para nós que aqui ficamos. Escrevo esse texto com o coração apertado, as lágrimas rolando e a mente longe, lembrando das piadas que ele e meu marido trocaram, do sorriso aberto e aquela expressão mansa, de gente do bem, de quem está sempre pronto para ajudar e para acolher como era Zuccaratto.

Acolhimento aliás, é um dom de Deus. E que poucos praticam. E do qual o mundo está tão necessitado…. Por falta de acolhimento acontecem as guerras e conflitos, as violências domésticas e crimes bárbaros. No mundo do Turismo, o acolhimento é algo que aflora espontaneamente ao longo da estrada, na jornada dos peregrinos em uma estrada desconhecida. Ou mesmo na ajuda que se dá a turistas enrolados com um idioma não falado. Acolher significa abrir o coração e a mente para explorar novos mundos, conhecer novas pessoas e colecionar amigos ao longo da jornada.

Em sua jornada na Terra, Zuccaratto foi um peregrino e um turista animado. E como bom jornalista que era também, seguia turistando / desbravando e escrevendo, duas coisas que fazia com brilhantismo. Mas o que ele fazia ainda melhor era ser simples, humano e bom amigo; desses que deixam uma forte marca naqueles com quem cruzava pelo caminho. Como marcou forte a mim e a meu marido.

Sabemos que o céu está mais rico com a chegada por lá de João Zuccaratto. E nós mais pobres aqui sem a sua presença. Mas no turismo do coração, sempre terei boas lembranças para visitar, quando quiser lembrar desse grande e gentil amigo. Que Deus o acolha e guarde amigo, e obrigada pelos bons momentos que dividimos aqui. Fique em Paz!

Texto: Danielle Vieira



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