Museu Histórico de Alcântara completa 42 anos

O sobrado azulejado que abriga o MHA se localiza na praça da Matriz

No último dia 28 de outubro o primeiro Museu Histórico de Alcântara – MHA, inaugurado em 1978, completou 42 anos de existência. Inicialmente o equipamento cultural da Secretaria de Estado da Cultura, que está vinculado ao Museu Histórico e Artístico do Maranhão- MHAM, representa o interior dos imóveis do período colonial e da época do Império, com a exposição de mobiliário (camas, baús, armários, mesas, cadeiras, consoles, cômodas, penteadeiras, escrivaninhas, dentre outras peças), ricos conjuntos de louças, objetos de arte (pinturas, esculturas), moedas, balas de canhão, imagens sacras, oratórios, relógios, castiçais, escarradeiras, candeeiros e tantos outros objetos de época, que enriquecem o acervo e justifica a presença constante de turistas, que visitam o museu em busca de informações sobre o passado da cidade monumento nacional, título obtido por Alcântara em 1948.

Fachada do Museu Histórico de Alcântara – Foto: Paulo Melo Sousa

O sobrado azulejado que abriga o MHA se localiza na praça da Matriz, no coração da cidade. Provavelmente construído no final do século 18, abrigou a família de Inácio Mendes, como está descrito no livro “Alcântara no seu passado econômico, social e político”, de Jerônimo de Viveiros. Com belíssima fachada em azulejos portugueses em azul e branco, a barra da fachada apresenta azulejos em relevo, raros no Maranhão. No final do século XIX o prédio pertencia à família Franco de Sá, que o vendeu em 1912 ao rico comerciante Antonino da Silva Guimarães. Este, por sua vez, habitou a parte superior do imóvel, enquanto que na área térrea foi instalada uma loja de gêneros alimentícios, sendo comercializado ali feijão, arroz, farinha, dentre outros produtos.

Museu possui mobiliários dos séculos 18 e 19 – Foto: Paulo Melo Sousa

Com a morte de Antonino Guimarães, em 1947, o prédio passou para as mãos de sua irmã, Procória da Silva Guimarães, que o vendeu para a prelazia de Pinheiro em 1956. Dessa época em diante o sobrado abrigou as irmãs canadenses da ordem das “Seglises”, nele funcionando um ambulatório, uma escola para adultos e uma escola de música no período noturno. Em 1977 o prédio foi desapropriado pelo governo estadual e transformado em museu no ano seguinte.

Louças raras integram o acervo do Museu – Foto: Paulo Melo Sousa

Fechado para o público desde março deste ano, foi reaberto no mês passado, com restrições, após o período de pico da crise da pandemia do corona vírus. Além da visitação, com guiamento, o museu realiza trabalho de manutenção do prédio e das peças, com pequenas restaurações, aquisição de acervo para a biblioteca, que já ultrapassou mil exemplares, ampliação de acervo de objetos para exposição, com campanha para doação de peças para o museu, feitas pela comunidade, e o início de projetos, tais como o “Guardiães da Memória do Patrimônio Cultural de Alcântara”, em parceria com as demais Casas de Cultura da cidade ligadas SECMA, a Casa do Divino e a Casa de Cultura do Mordomo Régio, visando salvaguardar o rico patrimônio alcantarense, tanto material quanto imaterial.

Texto: Paulo Melo Sousa



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