Será um discurso opimo Sálvio Dino! (2)

(Sinto-me lisonjeado em anunciar que serei candidato à sua vaga na Academia Maranhense de Letras (AML)! “Vale a pena, pois a alma não é pequena!”

Estou conferindo, nas redes sociais, que o Dicionário Caldas Aulete já é Novíssimo Aulete, Dicionário Contemporâneo da Língua Portuguesa, pronto para tirar qualquer dúvida nos meus trabalhos profissionais de revisor, em que os mais recentes foram no livro O Sótão, peça teatral de Ivan Saney, em 2.ª edição revista e ampliada, com a 1.ª, em 1978, comigo, no Serviço de Imprensa e Obras Gráficas do Estado (Sioge), e dois títulos do professor e historiador icatuense José Almeida, com Cenas da Vila e História Concisa da Balaiada. Incontinenti, recordei  que, no apogeu do Sioge, numa extensão que vai da gestão do ensaísta e editor Jomar Moraes ao advogado e professor universitário Antônio José Muniz, em que se inseriu a do jornalista e historiador Benedito Buzar, nas três, fui assessor e co-editor, na Revisão Literária, em que não faltavam autores ansiosos por suas criações, em fase de  confeccão ou de impressão, e alguns termos que se impuseram,  nas linguagens falada e escrita, como opimo.  Era opimo, nas conversações de Waldemiro Viana, que, em 1978,  tinha no ponto do prelo Graúna em Roça de Arroz, romance de cunho regionalista, papeando com Jomar Moraes, que confiavam no taco da minha arguciosa leitura,  assim como Mílson Coutinho, com o seu Atualidade do Padre Vieira, e  ascenderia em sua historiagrafia. Contem eles agora esse episódio par Deus, como se diz por aqui ainda, e da minha cancha de não demorar na mesa da Revisão, nas oficinas do Sioge, entre a Tipografia, Linotipo, Impressão e Encardenação,  para eu acertar com opimo, e num Caldas Aulete, da futuira Biblioteca Erasmo Dias do Sioge, chequei: excelente, rico, abundante, fértil, fecundo. De lambuja:  “Despojos opimos, entre os romanos, as armas do general inimigo, morto e despojado pela própria mão do general vencedor. Agora, com mais: copioso e extremamente distinto no seu gênero, e uma advertência opima dos novos tempos: “Coloque o Aulete no seu blog ou site. Explore seu   vocabulário com o Aulete!”

Opimo é só para fazer o bem — Foi com opimo na cachola que iniciei a minha saudação, no Sotaque da Ilha anterior, sobre a vida e obra do jornalista, advogado, político e escritor Sálvio Dino, já sabendo que seu desenlace repercutiu nos mundos político, jurídico e intelectual do Maranhão, tendo o presidente da Assembleia Legislativa, deputado Othelino Neto (PCdoB), decretado luto de três dias e divulgação de  Nota,  exaltando a memória do ex-parlamentar.  Por sua vez, o ex-presidente da República, José Sarney (MDB), lamentou “A perda do amigo, do parceiro político e do intelectual que deixa uma valiosa contribuição à cultura maranhense”. Soube-se que também o ex-presidente Lula da Silva (PT) divulgou mensagem, lamentando a perda e destacando a biografia de Sálvio Dino.

Quem viu de perto, contou decerto! — Muitos atributos de Sálvio Dino, eu conheci logo, ali, na mesa de Revisão do Sioge, com um olho, na missa, e o outro, no padre, sobretudo por seu parceiro mais próximo em idealização sociopolítica. Com o seu sentido falecimento, na segunda-feira retrasada, em São Luís, rememorei que ele fora muito realçado, no áureo tempo do Sioge, por Benedito Buzar,  que personalizava o  jornalismo, literatura e política,   enquanto eu, que batia sino e acompanhava a procissão, na Revisão Literária do Sioge, fui me abastecendo da perfomance daquele que seria seu compadre de alma, pelo batismo do seu filho, que seria o Governador do Maranhão,  Flávio Dino.

“E o que ouvirem em segredo, repitam nos telhados!” (Mateus) — Do seu parceiro de idealismo político, religiosamente, na disseminação do período de exceção e de obscurantismo, em nossas plagas, e que não só falava como escrevia no jornal O Estado do Maranhão, deu para a minha gravação até hoje: “Em 1954, ainda jovem, elegeu-se vereador de São Luís, reelegendo-se em 1958, para em seguida, em 1962, ganhar nas urnas o mandato de deputado estadual. Na Casa do Povo, notabilizou-se pela oposição sistemática ao governador Newton Bello”. O nosso herói pagou preço alto por suas posições políticas e ideológicas: na caça às bruxas, contra políticos democratas e de esquerda, a ditadura militar, malnascida do Golpe de 1964, ocasionou a cassação do mandato de Sálvio Dino, e, porque não era de perder a viagem,  no plano estadual,  alcançou também o jovem deputado Benedito Buzar, e na esfera federal os parlamentares acesos,  Neiva Moreira e Cid Carvalho.

Sob o regime de exceção e de obscurantismo — Ficou conhecida sua via-crúcis, no período de chumbo: enfrentou inquérito, interrogatórios, sofreu ameaças, e se manteve de pé. Reza sua biografia: “Retornou ao bom combate pelo voto em 1974, elegendo-se deputado estadual pela Arena – partido que abandonou em 1980 para se filiar ao PP, fundado por Tancredo Neves. Depois, ficou mais do conhecimento público:  foi prefeito de João Lisboa (1989- 1993 e 1997-2001), “onde realizou gestão elogiada por aliados e adversários!”

Quem mais sabia da oratória, na AL, bombardeava — Orador culto e contundente e tribuno implacável, talento que mostrou já na Câmara Municipal de São Luís, Sálvio Dino, no primeiro mandato de deputado estadual pelo PDC, se notabilizou pelos bem construídos e afiados discursos com os quais bombardeava o Governo vitorinista de Newton Bello, travando embates homéricos com o líder da situação, deputado Major Pereira dos Santos (PRP), que tentava rebater as perorações com discursos agressivos. A contundência e a riqueza discursiva, somada à competência como legislador, inseridas em sua formação e atuação como advogado, foram marcas reconhecidas quanto parlamentar. Como consabido, voltou a atuar politicamente, dando um suporte às candidaturas do filho Flávio Dino (PCdoB), governador reeleito do Maranhão.   Antecessores de Sálvio Dino, na AML, foram editados do Sioge — Félix Aires e Raymundo Carvalho Guimarães vieram logo à minha reminiscência, como editados do Sioge, sob a minha Revisão, quando opimo surgiu nas conversações dos nossos autores, que se reluziriam em nossa constelação.  O primeiro, autor de Liras & Baionetas,  faleceu, quando hóspede da residência de Jomar Moraes,  no Renascença, e o segundo ingressou em sua vaga, com a obra Buriti Bravo, Nesga de Sertão, com a minha prazerosa Revisão.



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