Milhares de romeiros, cada qual ostentando na ponta da língua ou no céu da boca sua história de vida e tratando de que estava com o coração transbordando de agradecimento e devoção ao santo, pela graça alcançada. Em síntese, esta é a crença manifestada pelos fiéis na Festa do Glorioso São Raimundo Nonato dos Mulundus, em seu novenário, ou nove noites de reza, em sua igreja.
Se houver pergunta sobre a origem da tradição, certamente muitos moradores de Vargem Grande não sabem exatamente como teve início a devoção a São Raimundo Nonato dos Mulundus. O que falam é que tudo aconteceu após a morte do vaqueiro Raimundo Nonato Soares Cangaçu, quando assinalam logo que lhes foi dito que ele nunca teve a sua santidade reconhecida pela Igreja Católica. Também isso não foi suficiente para ele não ganhar mais devotos, a cada ano, e notícia de mais um milagre que ele teria obrado entre a população mais humilde e crente!
A mais difundida informação a respeito, é a de que, consoante historiadores, em 1886, o vaqueiro Raimundo Nonato procurava uma rês desgarrada ao lado de outros parceiros de lida, e sumiu de cena. Somente dois dias depois, teria sido encontrado morto no povoado Mulundus, em Vargem Grande. O cadáver, no entanto, estava conservado e exalava suave perfume.
Os nativos do povoado entenderam que ele teria virado um santo. Não houve sepultamento. Dias após, o corpo teria sumido e envolto num grandioso mistério. Conforme os historiadores da região, os padres mais próximos de Vargem Grande teriam levaram o corpo do vaqueiro para Roma. A partir daí, começaram a surgir as notícias de milagres atribuídos a ele. Incontinenti, no local em que o corpo de Raimundo Nonato foi encontrado, foi levantada uma capela de palha, depois transformada no santuário de São Raimundo dos Mulundus.
É uma trajetória de perseverança dos devotos. Até 1908, os sacerdotes celebravam missa no santuário de Mulundus. Em 1930, o arcebispo de São Luís teria proibido o festejo, alegando ser profano. O povo, ali dono do seu nariz, manteve a devoção, sem padre e sem missa, de acordo com ditos e trechos lidos. Já em 1954, o arcebispo Dom José Delgado teria mudado o santuário de Mulundus para Vargem Grande, dando o nome de Santuário de São Raimundo Nonato, só que o homenageado não era o vaqueiro, e sim a um santo espanhol, cuja imagem viera da Espanha trazida pela dona das terras na qual o templo foi erguido.
Ficou assim: Vargem Grande tem devoção ao vaqueiro Raimundo Nonato dos Mulundus, todavia, a imagem que é conduzida na romaria, durante o festejo, é a do outro São Raimundo Nonato, o santo espanhol. A do vaqueiro Raimundo Nonato, um negro com chapéu de couro e manta vermelha, está guardada na capela do povoado Paulica. Já a imagem do São Raimundo espanhol está protegida em andor de vidro com barras douradas.
Sem estar guardado assim, a de Mulundus, o vaqueiro, persiste com muita força e grandeza, e já transformou a romaria de Vargem Grande em uma das festas religiosas mais prestigiadas do Nordeste do Brasil. O taumaturgo, não oficializado pela Igreja, é tão poderoso que consegue concentrar vaqueiros, lavradores, políticos, fazendeiros, empresários, gente do povo, jornalistas, todos rumo ao seu festejo!
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