Enquanto a vacina não vem….

Atravessamos a metade do mês de julho com a pandemia atuando e muito atuante no nosso país. Em um terço das unidades federativas parece que o vírus está sobre controle, mas em outras regiões os números só aumentam, em uma curva ascendente preocupante, por isso até naquelas regiões onde há a sensação de controle é necessário muito cuidado, pois em nenhum lugar do nosso Brasil, há porto seguro que imunize os seres humanos desse mal.

A maior prova de que o perigo não passou por ser percebida nas ações de muitos segmentos de nossa sociedade, quando os responsáveis pelo gerenciamento desses segmentos estão em estado de espera, no aguardo de uma vacina que seja eficaz, testada e comprovada cientificamente. Ainda bem, que há no meio social, setores com lucidez para não provocar recaídas com a lastração de uma nova onda de contaminação.

Para minha surpresa, o campo de atuação que mais tem se mostrado coerente com esse momento no qual atravessamos, está o campo cultural. Ressalte-se que esse campo de atuação foi o segmento produtivo da sociedade que sofreu as primeiras restrições de funcionalidade e continuam a sofrer com as medidas de segurança determinadas pelas autoridades públicas em todas as esferas de atuação.

Muitas empresas, grupos e pequenos negócios do campo cultural já fecharam ou estão com os dias contados para seu desfecho melancólico. Podemos citar o Cine Lume, que é o único empreendimento independente na área de exibição privada em nossa cidade e que está sobrevivendo de campanhas desenvolvidas por meios de apreciadores da arte cinematográfica, mas que não nos dá nenhuma garantia de sua continuidade.

Outro exemplo significativo está à decisão dos gestores das Escolas de Sambas dos principais polos hegemônicos de nosso país em afirmar que o carnaval de 2021 só ocorrerá se houver a tal vacina tão bem esperada pela maior parte de nossa população. Os nossos dirigentes carnavalescos estão dando aos gestores públicos uma lição de civilidade e precaução, que infelizmente alguns dirigentes dos nossos poderes constituídos parecem que ainda não se tocaram para a gravidade do momento que vivemos, entre eles, o nosso comandante maior do poder executivo, apesar de estar contaminado, segundo anúncio oficial da Presidência.

Continuamos a conviver com uma retórica equivocada e medidas incongruentes que agridem o que classificamos de bom senso, apesar, de no momento, parecer estar haver uma trégua alentadora, provocada por imposições da legislação vigente na nossa Carta Constitucional. Pelo menos, momentaneamente, os difusores de “fakes news” têm sido alvo de investigações e contenções provocadas por processos judiciais em tramitação no campo jurídico. Ainda bem.

Independentes dessas questões de logística da gestão pública, se por um lado, o mundo requer prudência para atravessamos a pandemia com resignação e medidas cautelares de segurança, por outro lado, em vários campos de atuação as forças do desmonte continuam a desenvolver medidas para desconstruir o que foi realizado com muito suor, debates, lutas coletivas, reivindicações oriundas dos mais diversos setores sociais e produtivos do nosso país. E nesse ambiente de desconstrução das redes e cadeias produtivas da sociabilidade e sustentabilidade socioambiental nos transformamos no foco mundial a ser observado com elevada dose de preocupação.

O meio ambiente está sempre a ser visto com olhos de lince pelos investidores e compradores de produtos brasileiros nos diversos cantos do mundo e enquanto a nossa natureza, simbolizada pela preservação da floresta amazônica não for devidamente protegida, a tendência é perdemos ações que pudesse criar mercado para nossos produtos, assim perderemos divisas, perderemos a oportunidade de criar e ampliar o campo de trabalho, emprego e renda para nosso povo. Isso se confirmando, veremos mais quebradeiras e desastres econômicos aumentando o sofrimento de nosso povo.

Estamos na hora de convergir forças para a nossa salvação coletiva, deixando de lado as vaidades partidárias e ideológicas, pois está em jogo a sobrevivência do nosso país enquanto nação, atuante, criativa e esperançosa. Pense nisso. Continuamos atravessando a pandemia provocada pelo Coronavírus 19.

Euclides Moreira Neto – Professor Mestre em Comunicação Social e Investigador Cultural

 

 



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