Como sabemos desde o berço, a carta aberta integra os gêneros textuais alicerçados pelo cunho de argumentação, cujo principal traço é permitir que o emissor  exponha em público suas reivindicações acerca de um determinado objeto. Difere-se da carta pessoal, que trata de assuntos concernentes aos interlocutores nela envolvidos, ao passo que aquela faz referência aos cujo interesse é de consenso. Dessa forma, a carta aberta será utilizada até mesmo como meio de conscientização da população ou de quem com certa influência, representante de uma entidade ou do governo relacionado à problemática. Estudiosos formalizam que a carta aberta extravasa persuasão, uma vez que a intenção de quem a redige é a de convencer. Foi assim que fiz o possível para a Redação das minhas corresponderem à expectativa dos destinatários.

São Luís, 13.3.2020. Excelentíssimo deputado federal Eduardo Braide: Levo ao seu conhecimento que recebi da sua assessoria (em resposta ao que conversamos, na Passarela do Samba do Anel Viário, antes da entrada da Turma do Quinto, no Concurso das Escolas de Samba deste ano, na segunda-feira gorda de carnaval), praticamente, nada sobre o que poderia desencadear um termo exitoso para a publicação do livro Tudo a Ver com o Peixe de São Pedro (A Festa do Pedro Santo, o Padroeiro dos Pescadores, no Bairro da Madre de Deus). Obedeci à sua orientação, fui recebido no escritório da sua sigla, no Edifício Vinícius de Moraes, no Calhau, sem demora e com uma cortesia exemplar, e o senão foi o de que agora V. Ex.ª está arregimentando alianças, para o pleito de outubro, enquanto outras incumbências apenas em abril.

Assim, a minha preocupação decorreu, pois, com a experiência de que conheço editoração (desde que ingressei no Serviço Público Estadual, em 1975, no Sioge, com elogios, pela intelectualidade brasileira, para a o Maranhão), em abril, até que haja todas as resoluções de praxe, poderá ser inviabilizado o projeto da noite de autógrafos realizar-se na semana da Festa de São Pedro, na Capela da Madre de Deus, com a participação de cordões juninos e segmentos sociais (literatos, professores, sindicalistas, folcloristas, etc.) prestigiando o memorável lançamento. Folguei em saber, neste ínterim, que oficializou, na terça-feira (10.3.), emenda parlamentar, no valor de R$ 400 mil, à Rede Sarah de Hospitais e Reabilitação de São Luís, em prol de conterrâneos na unidade. Auxílio para a saúde do corpo, e, com o livro, da alma!

São Luís, 13.3.2020. Excelentíssimo Sr. Dr. José Carlos do Vale Madeira. M.D. Juiz Federal e Candidato a Prefeito de São Luís: Caríssimo Conterrâneo, quanto eu já solicitei, em outra ocasião, ao Eduardo Braide, se no Palácio de La Ravardière, com o sufrágio popular, faça um grandioso bem ao Maranhão, resgatando o Concurso Literário e Artístico Cidade de São Luís, que o atual prefeito extinguiu, em 2015, rasgando Lei Municipal, não mandando imprimir meu livro (18.º) A Ilha em Estado Interessante (de crônicas), vencedor em primeiro lugar da 36.ª ed., e pagou na premiação financeira sete salários mínimos dos dez acertados. Poderia, a pedido da probidade, fazer uma devassa na Secretaria Municipal de Trânsito e Transportes(SMTT), que, na gestão longeva  de Canindé Barros, em blogs, foi, todo dia, maldita de corrupção e ineficiência? Seja salomônico até na construção, finalmente, do Sambódromo de São Luís, para beneficiar as nossas agremiações carnavalescas, e a população, sacrificadas, com arquibancadas precárias alugadas em Belém (PA), que há 20 anos edificou a sua passarela fixa. Haveria a ascensão do Turismo, qual nas capitais com menos tradição foliona que a nossa, e no Sambódromo, longe de um elefante branco, funcionariam repartições públicas, todo tempo. No mais, uma força imensa à Cultura Popular, V. Ex.ª já falado compositor de toada ao Boi da Maioba, e com a nossa apresentação, em 1980, num ensaio do Boi da Madre de Deus, do matraqueiro aqui, pelo amigo comum, o jornalista, poeta e compositor de mão-cheia Cesar Teixeira.

Carta, em forma de reza, para São Pedro — Para que a jornada da publicação da obra da minha autoria, alusiva à sua Festa, Pedro Santo, seja o sucesso almejado: “Glorioso Senhor São Pedro,/Patriarca do Mar,/Que leva a barca ao vento/Sem temer e vacilar!/Esta chavinha de ouro/Que vós tendes em vossas mãos/Foi dada por Jesus Cristo/Para o Mundo a salvação./Glorioso Senhor São Pedro/Recebei a oração,/O bendito que nós rezamos/Todos de bom coração!” (Trecho do Hino de São Pedro).

Minha Avó Marcela com São Pedro — Para os dois seres emblemáticos, este meu poema (para mim, com certa semelhança ao Irene no Céu, do genial poeta pernambucano Manuel Bandeira): Minha Avó tirava de letra, pois, mesmo analfabeta, em magia, para acordar o dia mais cedo, era Marcela, e, também, Luzia, em acender estrela e alegria aos companheiros e aos filhos pescadores, com sua venda de mingau de todo o dia, antes de brilhar São Pedro e seus andores. Na Festa do Glorioso São Pedro, num tempo que ainda não foi, sabia de cor e salteado o segredo, no largo enfeitado pro Boi, qual zabumba que vinha distante: de Mizico, Medonho, ou Lorentino, dos quais, eu guardava o brilhante, caído do Boi e do brincante, para eu preservar seu destino, numa caixa de papel coração, que cresceu mais que o menino e reluz no céu do seu chão.  Minha Avó tinha cada ideia! Queria que eu fosse alguém na vida que é plateia e louva mais os que têm! Vovó cresceu minha infância em seu brilho de todo dia: Ser rico de luz, sua ânsia, com ouro de tolo, não me via. Estou sujando a capela, São Pedro é a bola da vez: eu fiz escola por ela e lia o jornal pra nós três. Estou sujando a capela, São Pedro não desasnava; a zeladora era ela, de mim e do santo cuidava. E disso eu fazia praça, satirizando o enredo e me lavava na graça, botando a culpa em São Pedro. Cara de santo eu fazia, mas Vovó conhecia cara de tambor que amanhecia, santo de casa e de arara: — Nem “mais” nem meio “mais”,  santo não tem “dô” de dente! Naquilo em que eu era capaz, faltava ao santo ser gente. Passa o tempo, marco passo, com a fronte erguida, porém, pois não corrompo o compasso da reta que a linha tem. Na lida, publico agora o voto da justiça ao léu, e sinto Vovó me crendo nesta hora e botando reza no céu. Tem espaço para arrumar, no Alto, celeste ermida. Porque tem São Pedro, lá, e aqui, minha luta renhida, ralha, ali, com o Santo do Pedro, e com os meus santos, cá, contudo, nos sendo querida, entendendo-se a benquerença que há em: “Que santos putos da vida!” Chegou sem pedir licença, não era a Irene do Manuel Bandeira, nem tratou “sua incelença”, “meu branco” nem abriu porteira.  Era só pra varrer o céu e para cuidá-lo tão cedo: ela, na Madre de Deus, já era assim com São Pedro!



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