São José de Ribamar, padroeiro do Maranhão

“Valei-nos, Oh! Senhor São José! Abrande esses ventos, proteja-nos, acalme este mar bravio! Salve a todos nós, que em sinal de gratidão trarei sua gloriosa e milagrosa imagem para este lugar”. A oração do navegador português em agonia do mar revolto

No mês de setembro, quando a lua está cheia e as águas que caem do céu são raras na região, a luz da fé conduz milhares de romeiros ao extremo leste da Ilha de Upaon Açu. Eles vêm de carros, carroças, barcos e a pés de várias partes do mundo para pagar promessas ou simplesmente para demonstrar sua devoção a São José de Ribamar, o santo padroeiro do estado e da cidade do mesmo nome e onde acontece um dos maiores festejos cristãos do Maranhão.

Situada a 32 quilômetros de distância do centro histórico de São Luís, São José de Ribamar é banhada pelo oceano Atlântico. Onde antigamente moravam os índios Gamelas, atualmente é um santuário a céu aberto, visitado o ano inteiro por devotos do glorioso São José de Ribamar.

Como acontece com outros santos populares de imensa devoção no Brasil, São José de Ribamar é cercado por lendas fantásticas. Conta-se no lugar que um navegador português em meados do século XVII para livrar-se da fúria das marés apegou-se ao santo e prometeu erguer uma igreja na região arriba do mar. Segundo a lenda, a igreja da cidade teria desabado duas vezes até ser construída por um caçador de frente para o mar, como era o desejo do Santo.

Santo de Botas

NA IGREJA LEMBRANÇAS DO MAIOR FESTEJO RELIGIOSO DO ESTADO

A imagem do santo de botas de características rústicas e desproporcionais, esculpida em madeira, teria sido trazida de Portugal no ano de 1624. Não há, porém, qualquer documento que comprove o fato histórico, pois segundo  consta, as terras do lugar foram doadas aos jesuítas pelo governador Francisco Coelho de Carvalho no ano de 1627. Certo é que esta pequena imagem exerce um poder devocional tamanho que são incontáveis os fiéis ao santo padroeiro do Maranhão no mundo inteiro. Em setembro fica mais fácil dimensionar o fascínio divino do santo. Recorte na história e geografia

A CIDADE BALNEÁRIA DE SÃO JOSÉ DE RIBAMAR RECEBE DEVOTOS PARA O FESTEJO DO SANTO PADROEIRO DO MARANHÃO

Apavorado com a tormenta do mar revolto um capitão português apelou aos poderes de São José para evitar o naufrágio. Socorrido pela divida contenção da natureza, ele então prometeu erguer no promontório que avistara de seu navio uma pequena capela para abrigar o santo. De Portugal trouxe então a imagem da sagrada família.

No ano de 1615 um grupo de missionários franciscanos, que chegaram ao local à bordo da esquadra comandada por Jerônimo de Albuquerque, encontraram as imagens. Em 1624 o então governador Francisco Coelho de Carvalho fez uma visita ao lugar e determinou a colonização da terra através de carta régia do rei da Espanha, D.Felipe IV. No dia 16 de dezembro de 1627 nascia a Vila São José.

A vida política da cidade teve início em 7 de junho de 1757 quando por meio de Alvará o governador Gonçalo Pereira Lobato Souza, depois de devolver a liberdade aos índios em cativeiro, cria a Vila São José de Ribamar.

As primeiras casas foram erguidas quase no final do século XIX. Conta-se que existiam menos de 20 casas, todas em torno da igreja de São José de Ribamar, aí por volta de 1896.

A Geografia

São José de Ribamar está localizada ao leste da ilha de Upaon-Açu (São Luís) em frente à baía de São José.

Santo dos índios

Quando o lugar ainda era dominado pelo verde intenso, os índios gamelas instalados em aldeias a poucas milhas da praia de Jararaí recebiam anualmente outros tantos para uma grande festa. Vinham do Sítio do Apicum, Itaparipéua, Caúra, Barra do Corda, de lugares bem próximos ou muito distantes dali. O calendário seguia as fases da lua. Sob a claridade lunar as festas costumavam durar até quatro dias.

O ritual de festas dos extintos gamelas se repete ainda anualmente no mês de agosto. O festejo hoje tem motivo religioso. É quando a comunidade do antigo lugar dos índios celebra São José. Foram os missionários que, em 18 de junho de 1757, por resolução régia, elevaram o lugar à condição de vila e semearam o catolicismo entre os gamelas.

Maria de Deus, guardiã da igrejinha da localidade, bisneta dos gamelas e talvez a última descendente a permanecer no lugar, recorda de memória as histórias da avó Clara. Devota, se orgulha da descendência. Clara era uma índia canela de Barra do Corda que numa dessas festas se entrelaçou com um gamela. Tudo índio, tudo parente. Dessa união descenderam outros moradores de São José dos Índios à margem do MA-201, entre São Luís e São José de Ribamar.

Embora recortado pela rodovia, o formato da praça onde a igrejinha de tom amarelo está instalada, devotada a São José dos índios, lembra o círculo das aldeias indígenas.

A primeira igreja a pau e pique ficava situada ao lado do cemitério, em um ponto do círculo. 

Barco é pra quem pode…

MESTRES DA ARTE NAVAL MISTURAM FÉ COM DEVOÇÃO À ARTE DE NAVEGAR

O barulho permanente das águas do mar são entrecortados pelo bater do martelo de Elson Castro. Ele é.. Escuna, bote, biana, casco, lancha, catamarã. Tudo, barcos cujos projetos nascem na cabeça de Zequinha Castro, carpinteiro naval do Estaleiro transporte Alencar LTDA, localizado no bairro da Campina, a poucos metros do Porto do Barbosa. “Não faço nenhum desenho”, afirmava Zequinha, um dos últimos mestres navais do município, nascido em Areinhas, município de Primeira Cruz.

Quando chegou em São José de Ribamar aos 12 anos de idade, Zequinha trouxe consigo os ensinamentos do pai. De pai para filho e para seu filho, Elson Martins. De segunda a quinta-feira, Elson colabora com o pai na confecção de barcos. Uma escuna, um barco de 10 metros e um menor dividem o trabalho dos dois e o pintor. O Estaleiro dos Castro na verdade foi fundado por José de Alencar, amigo do senador José Sarney.

Texto: Henrique Bóis

Foto 1 – Henrique Bóis

Foto 2 – Gutemberg Bogéa

Foto 3 – Arquivo JPT

Foto 4 – Gilson Ferreira



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